O COMEÇO DO FIM PARA JAIR BOLSONARO

O editorial da Folha de São Paulo do dia 18/02/2020 pode marcar o início do fim da "carreira" presidencial de Jair Bolsonaro o "chefe de bando", como mesmo caracteriza o jornal. O episódio limite, ao menos para o editorial do jornal, foi a ofensa do presidente a uma jornalista do grupo Folha. Isso aconteceu nesta terça-feira (18), com insinuação sexual, a jornalista Patrícia Campos Mello. "Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]", disse o presidente, em entrevista diante de um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada. Após uma pausa durante os risos, Bolsonaro concluiu: "a qualquer preço contra mim". [leia mais aqui]

Muitas pessoas (sensatas) saíram em defesa à jornalista e contra a atitude do presidente. O fato, ao meu ver, é grave, contudo, não se trata do primeiro fato grave, em vídeo no meu canal do youtube, já critiquei esta postura e falei que não sabia onde e como ia parar essas atitudes do "chefe de bando", segundo a Folha, que a cada semana soltava uma se suas "pérolas" que claramente ridiculariza o cargo mais importante da república, o cargo de presidente.

Ao meu ver, não só a Folha de São Paulo, mas outros veículos da imprensa (sem falar naqueles que explicitamente apoiam esse governo) e importantes pessoas estão vendo já tardiamente que, para o bem da democracia nacional brasileira, algo tem que ser feito urgentemente. Espero que não seja tarde, a ferida já está aberta e a ponta da lança continua sendo enterrada em nossa democracia, nos direitos humanos, nas conquistas sociais. Eles continuam trabalhando para o fim do Brasil democrático e solidário e espero que o grito da Folha não seja abafado com outra cortina de fumaça. Leiam o editorial da Folha e deixe o seu comentário também.

"Editorial - Sob ataque, aos 99
Bolsonaro reincide na ofensiva ao jornalismo; alvo é o edifício constitucional

Ao completar 99 anos de fundação, esta Folha está mais uma vez sob ataque de um presidente da República. Jair Bolsonaro atiça as falanges governistas contra o jornal e seus profissionais, mas seu alvo final não é um veículo nem tampouco a imprensa profissional. Ele faz carga contra o edifício constitucional da democracia brasileira.

Frustraram-se, faz tempo, as expectativas de que a elevação do deputado à suprema magistratura pudesse emprestar-lhe os hábitos para o bom exercício do cargo. É a Presidência que vai se contaminando dos modos incivis, da ignorância entranhada, do machismo abjeto e do espírito de facção trazidos pelo seu ocupante temporário.

O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando. Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária. Presidentes da Câmara e do Senado, ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores de estado, repórteres e organizações da mídia tornaram-se vítimas constantes de insultos e ameaças.

Há método na ofensiva. Os atores agredidos integram o aparato que evita a penetração do veneno do despotismo no organismo institucional. Bolsonaro não tem força no Congresso nem sequer dispõe de um partido. Testemunha a redução de prerrogativas da Presidência, arriscada agora até de perder o pouco que lhe resta de comando orçamentário.

Escolhe a tática de tentar minar o sistema de freios e contrapesos. Privilegia militares com verbas, regras e cargos, e o exemplo federal estimula o apetite de policiais nos estados. Governadores são expostos por uma bravata presidencial sobre preços de combustíveis a um embate com caminhoneiros.

Pistoleiros digitais, milicianos e uma parte dos militares compõem o contingente dos sonhos do presidente para compensar a sua pequenez, satisfazer a sua índole cesarista e desafiar o rochedo do Estado democrático de Direito. 

Não tem conseguido conspurcar a fortaleza, mas os choques vão ficar mais frequentes e incisivos caso a resposta das instituições esmoreça. A democracia é o regime da responsabilidade, o que implica a necessidade de punir a autoridade que se desvia da lei.

Defender o reemprego de um ato que fechou o Congresso Nacional, como fez o deputado Eduardo Bolsonaro ao invocar o AI-5, não deveria ser considerado deslize menor pelos colegas que vão julgá-lo no Conselho de Ética.

As imunidades para o exercício da política não foram pensadas para que mandatários possam difamar, injuriar e caluniar cidadãos desprovidos de poder, como está ocorrendo. Dignidade, honra e decoro são requisitos legais para a função pública. O presidente que os desrespeita comete crime de responsabilidade.

Ao entrar no seu centésimo ano, a Folha está convicta de que o jogo sujo encontrará a resposta das instituições democráticas. Elas, como o jornalismo, têm vocação de longo prazo. Jair Bolsonaro, não."

O texto em aspas veio daqui.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como configurar teclado do tablet S3 para acentuar em português

Fortnite, o fim

HD externo ou Serviço de Nuvem?