22 de jul de 2018

Você usa o Instagram ou o Instagram que te usa?



Você usa o Instagram ou é o Instagram que te usa?

Essa é uma pergunta muito importante a se fazer, principalmente se você é uma criança ou adolescente. Acompanhe o vídeo que eu já explico isso melhor.

O Instagram é mais uma das muitas redes sociais onde você e eu podemos abrir uma conta, na maioria das vezes gratuitamente, e começar a fazer uso de suas ferramentas. No caso, o principal do Instagram é o compartilhamento de fotos onde é possível criar uma legenda e receber, além de comentários, curtidas.




A essência dessa rede social é simples e o que motiva as pessoas a postarem suas fotos, muitas delas revelando a intimidade de nossos cotidianos, é exatamente o retorno das curtidas. 

Funciona mais ou menos assim, eu coloco uma foto e quanto mais curtidas e comentários eu recebo mais fico estimulado a colocar mais fotos e esperar novas curtidas e comentários que vão levar a novas fotos e novas curtidas e novas fotos… enfim, deu para entender o mecanismo né?

Claro que nada é tão inocente como aparenta ser. Que sentimento aflora quando eu vejo que fotos de uma amiga ou amigo recebe mais curtidas que as minhas próprias? E quando crio uma expectativa em relação a uma determinada foto que não corresponde ao número de curtidas e comentários? Como lido com essa frustração? Se para uma pessoa adulta essa não é uma questão fácil, imagine então como é para uma criança ou adolescente lidar com essa frustração digital?

Não pretendo entrar nessa discussão aqui, trata-se de uma discussão densa e o vídeo texto ficaria longo demais, pois o debate exige um tempo maior para levantar e debater certos conceitos como o próprio conceito de rede social.

Mas gostaria de saber o que você acha disso, ou seja, você tem problemas quando uma foto não tem a repercussão que você achava que ela teria? Isso te desanima, te deixa triste ou te motiva a postar mais fotos ainda? Escreva nos comentários deste vídeo blog.

Eu quero refletir sobre a questão de uso da rede social, refletir sobre seu uso é sua gratuidade. Essas redes sociais vivem e sobrevivem de anúncios, mas o que motiva as pessoas a entrar nas redes sociais não são os anúncios e sim o conteúdo que eu e você colocamos lá e para ver “de graça” esse conteúdo eu também tenho que ver os anúncios. Explicando melhor as redes só existem porque eu e você produzimos conteúdos para elas e deste modo, pensando por esse prisma, nos não usamos as redes sociais, nós somos, por elas, usados.

Agora deixa eu falar contigo. Você usa ou vai usar uma determinada rede social, o Instagram, por exemplo, tudo bem. Ela é legal e até dá para se divertir com os nossos amigos, mas sempre mostre para seus pais o que você está postando na internet, fique atento aos pedidos para te acompanhar, não conhece, não aceite e sempre, sempre seus pais devem saber quem está pedindo para ser seu amigo nas redes sociais. Existe uma ferramenta no Instagram que deixa seu perfil privado, isso significa que só vai poder ver suas fotos as pessoas que você aceitar que te sigam. E pode parecer que não, mas assim como na vida o mais legal é a qualidade e não a quantidade de pessoas ao seu redor.

Tome muito cuidado ao expor seu cotidiano. Fotos na escola, em casa, no seu quarto revelam uma intimidade que pode não ser legal mostrar para qualquer pessoa. Se estiver em dúvida chame seus pais ou um adulto responsável para avaliar se a publicação da foto será algo positivo ou não.

E por fim, não fique escravo das curtidas, não é você que tem que trabalhar para a rede social é ela que deve servir você. Em outras palavras você deve usar as redes sociais sem que elas usem você. Não se deixe escravizar.

Se você gostou desse vídeo  post socialize se não gostou não faça nada, apenas espere o próximo vídeo post. Um fraterno abraço e até breve.

19 de jul de 2018

Como dados de crianças são tratados pelo YouTube


MP investiga como dados de crianças são tratados pelo YouTube

Foto: Pixabay

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) abriu um inquérito para apurar como o YouTube lida com os dados de crianças. O objetivo é verificar se há abuso na coleta e tratamento dessas informações, especialmente considerando o fato de meninos e meninas serem mais vulneráveis a essas plataformas por estarem em fase de desenvolvimento.
Segundo o MPDFT, conteúdos rotulados como “para crianças” na plataforma (a partir de uma busca em seu sistema interno) totalizam 16,7 milhões de vídeos. Contudo, os termos de serviço da plataforma afirmam que ela é voltada para pessoas com 18 anos ou mais.
“Em qualquer circunstância, Você afirma ter mais de 18 anos, visto que o website do YouTube não é projetado para jovens menores de 18 anos. Se Você tiver menos de 18 anos, não deverá utilizar o website do YouTube. Você deverá conversar com seus pais sobre quais sites são apropriados para ele”, diz o texto dos termos de serviço do Youtube. 
O Código de Defesa do Consumidor proíbe que um fornecedor de bens ou serviços se valha da fraqueza ou ignorância de um consumidor por distintas razões, inclusive idade. O Marco Civil da Internet afirma que a coleta de dados só pode ser feita mediante consentimento expresso, destacado das demais cláusulas contratuais.
O promotor responsável, Frederico Meinberg, explica que o inquérito não visa averiguar os conteúdos, se adequação para crianças ou entrar em qualquer medida de retirada, mas avaliar como, a partir desse grande volume de vídeos disponíveis, a empresa coleta e usa dados de meninos e meninas para direcionar publicidade.


Na opinião de Meinberg, a possibilidade de coleta de informações e a consequente segmentação de anúncios se aproveitando das vulnerabilidades de crianças sem a supervisão dos pais ou responsáveis traz uma série de discussões.
“Imagina uma propaganda de cigarro pra crianças na televisão. Teria uma reação da sociedade e do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). No YouTube, os próprios proprietários dizem que não é adequado mas se fomenta a produção de conteúdos para crianças. Está se tratando dados de crianças e adolescentes sem consentimento de pais e responsáveis”, compara.
Ele destaca que esta é uma preocupação em outros países. Um pedido de investigação semelhante foi feito nos Estados Unidos por organizações de defesa dos direitos da infância junto à agência reguladora de concorrência, a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês).

Prática injusta

Na avaliação do coordenador do programa Prioridade Absoluta do Instituto Alana, Pedro Hartung, a ação é importante, pois já há diversos mecanismos na legislação brasileira que limitam ou proíbem a coleta e o tratamento de dados de crianças da forma como o YouTube faz, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Marco Civil, o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil.
Além destes, a recém-aprovada Lei de Proteção de Dados, que deve ser sancionada nas próximas semanas, estabelece que a coleta de dados de crianças com até 12 anos só pode ser feita com consentimento de pelo menos um dos pais ou responsáveis e que o tratamento deve levar em conta o melhor interesse desse menino ou menina.
“É muito injusto, antiético e ilegal se utilizar de dados pessoais, que é uma extensão da personalidade de maneira tão íntima, de um indivíduo que está num processo de desenvolvimento para direcionar publicidade, que é altamente persuasiva, porque explora vulnerabilidades mais íntimas do indivíduo para o convencimento de um ato de consumo”, comenta Hartung.
A Agência Brasil tentou contatar o escritório do Google (empresa controladora do YouTube) no Brasil, mas não obteve sucesso.
Fonte: EBC