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Professor Vagabundo

professordoenteA minha diferença de alguns trabalhadores para outros ou outras, vagabundos ou vagabundas é que não vivemos de atestados médicos. Eu escolhi ser professor e sou profundamente competente no que faço. Duvida? pergunte aos meus alunos. E se tiver coragem pergunte aos seus. A felicidade nos deixa magros, bonitos e felizes. Pena não poder falar o mesmo”. (extraído de um perfil no Facebook em 30/10/2012).

Não quero aqui fazer a identificação do professor que fez esse comentário via rede social, contudo, também não me sentiria tranquilo se não fizesse algumas reflexões. Reflexões essas que tinha o hábito de ler nesse mesmo perfil social.
Falando exclusivamente sobre os professores e não especificando uma ou outra escola, é sabido que o professor brasileiro, grosso modo, é um profissional que vive no limite do estresse. Essa situação é provocada, entre outros fatores, pelas condições de trabalho que a ele são oferecidas.
Basta uma breve “navegada” pela própria rede mundial de computadores para verificar (seja por fotos, vídeos ou textos) a situação em que encontra a educação (aspectos físicos e humanos) do Estado brasileiro.
O professor, profissional da linha de frente dessa trincheira contra as mazelas sociais ainda presentes em nosso país, está exposto à uma sala de aula, via de regra, com mais de trinta alunos e isso multiplicado por um significativo número de turmas, quanto não, multiplicado por duas ou três escolas. Vive adequando-se às políticas de governo e não de Estado quando se trata de políticas educacionais. Possui reduzido tempo para qualificação profissional e no que se refere à aquisição de um capital cultural, é limitado por questões salariais que, devido à baixa remuneração, o impede de assinar um bom jornal de circulação nacional, uma revista de qualidade, aquisição de boas músicas, participação em eventos culturais (além da falta de recursos financeiros é preciso estar em casa preparando aula, passar parte do seu “tempo livre” avaliando  o desenvolvimento de seus alunos, etc.) e em alguns casos, falta de estímulo e plano de carreira.
Nesse breve contexto, acima exposto, como não compreender que o professor está ficando doente? Ora, se a própria educação do país se encontra num estágio febril, doente, como não compreender o estágio de fragilidade desse profissional que sofre diretamente os efeitos negativos da situação contemporânea da educação brasileira.


Num país onde governos estaduais alegam não poder pagar um piso salarial (que em muitos casos virou teto) que equivale a cerca de dois salários mínimos. Onde a mídia distorce, ao seu interesse, o significado da educação e o papel do professor. Onde famílias acreditam que a escola é o lugar para deixar os seus filhos, enquanto esses vão trabalhar e as empresas lucram oferecendo pouco ou nenhum retorno social, o que mais entristece é ver um colega professor chamar de vagabundo um trabalhador que está ficando doente.
Não, definitivamente, meus colegas professores não são vagabundos nem vagabundas. São profissionais de uma envergadura profissional que dá orgulho para a cidade, para o país. São trabalhadores vitoriosos, apesar de pouco reconhecimento social e governamental. São pessoas éticas e comprometidas e estão longe de serem confundidas com vagabundos ou vagabundas.

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