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Mais democracia

Aqui faço o registro de trechos do pronunciamento do senador Jorge Viana (PT-AC) proferido no dia 20 de abril onde fala, entre outras coisas, sobre o impeachment e suas consequências e as desigualdades no Brasil. Segue abaixo o discurso (editado).

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
"No dia 17 último, lembrou-se um ano de um impeachment que era a tábua de salvação para o Sr. Eduardo Cunha, na Câmara, e sua trupe. Venderam para o Brasil a ideia de que o problema todo era a Presidente Dilma, era o governo que tinha recém vindo das urnas, que tinha recebido 54 milhões de votos. O problema era o PT, e tinha que tirar.

O desemprego aumentou em quase 5 milhões de brasileiros do dia em que a crise começou até a presente data. Os indicadores econômicos pioraram. Os sociais não só pioraram, como estão ameaçados. O que estão fazendo é um desmonte das leis trabalhistas, tentando levar o Brasil para era pré-Vargas, tirando todo e qualquer direito, num momento de muita dificuldade que o País vive, e essa dificuldade se materializa na dificuldade de cada brasileiro e de cada brasileira, que ficam hoje, muitos deles, 13,5 milhões, atrás de uma oportunidade de trabalho. Depois de o Brasil ter vivido, no governo Dilma e especialmente no governo do Presidente Lula, a geração de 20 milhões de empregos com carteira assinada.

Sou favorável a uma modernização das leis trabalhistas, mas não levá-las para uma era pré-Vargas; trazê-las para o século XXI. Sou favorável a que se reduza drasticamente o desperdício do dinheiro público nos gastos dos Municípios, dos Estados e da União. Sou amplamente favorável a termos uma radical mudança no sistema político-eleitoral brasileiro, que faliu, venceu a validade.

Mas venderam um Brasil e estão entregando outro. Agora estão dizendo que fomos nós que geramos 13 milhões de desempregados. Não, quando estávamos vivendo o pleno emprego, nós tínhamos 6 milhões de pessoas desempregadas já, ou 7, porque é assim que funciona quando há o pleno emprego. São pessoas que estão saindo de um emprego para outro. O problema é que 7 milhões foram desempregados de quando essa crise começou para cá, e não adianta querer pôr na conta de um governo que já saiu, como o caso do governo da Presidenta Dilma. Passado esse período, o que é que nós temos hoje? A crise econômica mais grave, a crise institucional chegando ao limite, a ponto de que ninguém sabe o dia de amanhã.

Foi dito aqui, desta tribuna, pelo hoje Presidente do PMDB que a Presidente Dilma não poderia ficar, porque não tinha apoio popular. A avaliação dela, positiva, era de 10%. Foi aqui, desta tribuna pelo Senador Jucá. E com 10% de apoio, não se sustenta um governo. O atual tem 5% de apoio, 5%. Não passou nas urnas, e quer, sem o apoio popular verdadeiro, promover as mais radicais mudanças no Estado brasileiro: venda das terras brasileiras para estrangeiros; entrega do subsolo brasileiro; desmonte das leis trabalhistas, com um mínimo de garantia para os trabalhadores; e uma previdência que impede, especialmente para as mulheres trabalhadoras rurais deste País...

Este País tem tanta desigualdade, a ponto de haver uma grande desigualdade da perspectiva de vida entre quem vive no Sul maravilha, no Centro-Sul – não chamo nem de Sul maravilha, porque estamos também passando muita dificuldade em toda parte. Antes era assim que se falava, sem nenhum termo pejorativo. Mas, no Norte e no Nordeste, há uma diferença de mais de dez anos de perspectiva de vida, especialmente para as mulheres sofridas do Nordeste e da minha Região, no Norte do Brasil.

Querem que agora a trabalhadora rural morra sem se aposentar. É isto que estão propondo: um desmonte completo em algo que é de direito. Trabalhou, esforçou-se, sofreu, virou avó, virou avô, já criou os filhos, tem o direito a ter uma aposentadoria. Isso, em qualquer país civilizado do mundo, é assim. Aqui, no Brasil, querem fazer diferente.

E aí, em nome da opinião pública, fizeram tudo isto no nosso País: mudaram; desrespeitaram os 54 milhões de votos; puseram um Governo que não passou nas urnas; danificaram a democracia, a jovem democracia brasileira. E eu pergunto qual é a solução? Em uma democracia, a solução para eles é menos democracia; menos participação direta da população. E, para nós, qual é? Mais democracia."

Fonte: Senado Federal - originalmente publicado em http://www12.senado.leg.br/multimidia/evento/72543

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