Acidente aéreo em Cuba

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Havana - Uma nota emitida hoje (29) pelo Ministério das Forças Armadas Revolucionárias da Cuba (MINFAR) confirmou um acidente de avião na província ocidental de Artemisa, matando oito soldados cubanos, incluindo tripulação, depois de colisão do avião. O texto relata que "o infeliz acidente ocorreu na manhã de sábado, quando uma aeronave AN-26 pertencente às Forças Armadas Revolucionárias (FAR), que havia decolado às 6 e 38 pm Aeroporto Playa Baracoa, Township Bauta, colidiu com a Loma de la Pimienta, município de Candelaria, na província de Artemisa. 

Uma comissão do Ministério das Forças Armadas Revolucionárias investiga as causas do acidente.

Paim comenta a greve geral do dia 28/04/2017

Plenário do Senado 

Paulo Paim (PT-RS) comenta a greve geral do dia 28/04/2017 através de pronunciamento no Senado Federal (por mim editado). 

Hoje [28/04 sexta-feira] parece um domingo. Claro que os atos de protesto vão acontecendo; claro que alguns confrontos, num dia de greve geral, vão acontecer no País e no mundo. Acha que greve geral é só para um dar beijo no outro? Claro que não! Mas é assim, assim é a humanidade. E alguns me dizem: "Não, porque pararam todos os ônibus, metrô e grande parte dos aviões." Eu digo o seguinte: vocês acham que piloto de avião não tem pai, não tem mãe, não tem irmão? Vocês acham que o motorista de ônibus não tem pai, não tem mãe, não tem irmão e que eles estão pensando só na categoria deles? Acham que ferroviário, metroviário ou a Polícia Civil, que aderiu também à greve... E olha que a própria Polícia Militar está meia-boca, viu? Porque, pelo movimento que está havendo hoje no País, está meia-boca. E quero cumprimentar, inclusive, essa solidariedade indireta. Vai haver, sim, uma operação tartaruga em todas as áreas, e é natural, pessoal.

Eu estou aqui na tribuna do Senado para comentar esse momento [...] Essa é a maior paralisação da História do País.

Você que está me ouvindo na sua empresa – seja um micro ou pequeno empresário, ou seja um grande empresário – sabe que os trabalhadores não foram hoje. Há raras exceções. Também não estou questionando aqueles que foram, porque sei que eles estão solidários. Eu sei que eles estão solidários.

Eu dizia, outro dia, quando a Polícia Civil quase invadiu aqui: "Vocês queriam o quê? Tiram deles tudo e vão querer o quê? Que eles fiquem em casa, acovardados, de braços cruzados, esperando a chuva ou a tempestade passar?" É natural que o povo esteja reagindo e vai reagir muito mais!

Esta é a primeira. Não pensem que não haverá outras, porque haverá! Assim é a vida, e assim caminha a humanidade. O povo brasileiro não é covarde! Ele não se encolheria embaixo da cama, deixando que o Congresso aprovasse o que bem entendesse, com uma irresponsabilidade total, desrespeitando, inclusive, o Regimento. Vota o requerimento e perde. No outro dia, vota o mesmo requerimento, porque comprou alguns votos para que mudassem de opinião.

O que estão fazendo não é pouco, pessoal! A proposta de reforma trabalhista – eu tenho de dizer – que a Câmara produziu chega a ser pior do que aquilo que o Presidente Temer conseguiu produzir! É pior! É pior! Que Câmara dos Deputados é essa? Estão tirando tudo! Sabem o que é tudo? Se me dissessem, na época do debate que tivemos aqui – e não quero entrar neste tema sobre se ficaria ou se não ficaria a Presidenta Dilma –, que este Governo faria tudo isso que está fazendo de mal, de forma perversa, hedionda contra o povo brasileiro, eu diria: "Não, estão exagerando. Vão fazer o debate político, mas isso aí não é verdade."

Quando eu falava aqui da Ponte para o Futuro, diziam: "Não, Paim. Isso aí não é verdade." Veja o que a Câmara aprovou sob a orientação do Temer: aquele maldito contrato intermitente. Eu saí daqui, em um dia, porque estava fazendo exame do coração, estava me sentindo mal, e, quando soube, estavam aprovando no Senado. Arranquei os fios todos, e foram os médicos e as enfermeiras... Agradeço aos médicos do Senado, todos me levando de cadeira de rodas para chegar lá na sessão e dizer que não podiam votar aquele projeto.

Resumindo a história, o Senado não votou. Fizeram requerimento para o Plenário, e, no plenário, disseram: "Não, isso não pode ser votado assim. Aprovem os requerimentos do Paim." Aprovaram, e o projeto voltou para as Comissões. Agora, a Câmara aprovou. Vocês sabem o que é o tal de trabalho intermitente? É uma covardia tamanha.

Sabe o que é o trabalho intermitente? Parece um nome bonitinho, não é? Agora, com a terceirização, vão pegar até mesmo o serviço público, porque podem terceirizar tudo. E quem vai usar o trabalho intermitente, inclusive na área pública? Olha, o senhor que está me ouvindo na sua casa hoje, porque disse que não ia para a greve, sabia que eu vinha para cá [para o Senado]. Eu vinha, porque eu havia me comprometido. Fui a Minas, a Goiás e retornei. Cheguei quase de madrugada, pelo atraso dos aviões. E que bom que atrasaram. Podem ver que eu estou me segurando para falar sobre o trabalho intermitente de tão brabo que eu estou, de tão chateado, indignado, revoltado, porque é isso que a gente está vendo hoje no Brasil!

Mas vamos lá, resumidamente, trabalho intermitente é o seguinte: o seu empresário diz a você: "Nesta semana, eu vou lhe dar duas horas de trabalho." Parece até que não é verdade. Pensem: duas horas de trabalho. Você vai lá, trabalha duas horas, tem de ficar à disposição dele e só com autorização dele é que você vai trabalhar em outra empresa mais algumas horas, senão não pode trabalhar. Na outra semana, ele lhe dá quatro horas. Na outra, ele pode dar 30 ou 40 horas, mas como fica o seu salário? Como fica o aluguel? Como fica a roupa das crianças? Como fica o pão? Como fica o leite? Como fica isso tudo?

Eu sei que muitos estão me ouvindo, mas quase não estão acreditando nisso. Pois podem acreditar porque é verdade. Isso é trabalho intermitente, sim. É trabalho por hora. E você só vai ganhar o correspondente àquelas horas. Não terá mais salário mensal. Não terá salário nem semanal. Calcule você receber 40 horas no fim do mês. "Olha, você trabalhou 40 horas, e eu já lhe paguei as 40 horas." Como fica o 13º sobre isso tudo? Como ficam as férias? Como fica a previdência? A que ponto nós chegamos neste País? Isso é desumano.

Eu vejo lista para cá e lista para lá sobre operação isso, operação aquilo. Mas o povo vai guardar mesmo é a lista daqueles que rasgaram a CLT e o nomezinho de cada Deputado e de cada Parlamentar. Essa é a lista dos perigosos. Vocês acham que um Deputado é retardado, é maluco, é louco? Ele sabe que, votando a favor dessas duas reformas, não voltará mais para cá, não voltará. Este País, parado no dia de hoje, vai dizer: "Eu quero a lista de quem é a favor de acabar com a CLT e com os direitos dos trabalhadores." O que o povo vai querer? Essa lista ou as outras listas que estão circulando aí, em que meio mundo está denunciado? Mas a lista de que eu tenho certeza é a do voto naquele painel. Ali eu sei quem está do lado de quem. [...] Eu quero essa lista nas redes sociais. Ela tem de estar nas redes sociais. Você que opera nas redes sociais...

Presidente Temer, eu sei que você está de plantão hoje com seus ministros no Palácio. Farei uma pergunta e, se você puder, responda aqui, porque eu sei que eu estou falando e vocês estão assistindo à minha fala: Existe algum presidente na história do País, desde os presidentes militares, que fez um ataque à previdência, que é o direito de as pessoas se aposentarem na área pública, na área privada e no campo, como você está fazendo? Responda ou mande para cá alguém que possa responder.

[...] Você sabe, e eu sei como funciona esse esquema de vocês. Eu falo com tranquilidade porque a mim nunca ninguém deu porcaria nenhuma. Comprando voto vergonhosamente do dia para noite, para virar o voto do dia para noite, para esculhambar de vez com a nossa a previdência? Quem tem interesse nessa reforma? Alguém tem de ter interesse. É o sistema financeiro. Você sabe que eu sei. Os grandes bancos estão que nem o "olho do gato no peixe". [...] É assim que está o sistema financeiro, tanto que o lucro deles triplicou em três vezes depois que você mandou essa reforma para cá. E o Secretário da Previdência de hoje é funcionário, Conselheiro remunerado de um grande fundo de pensão. Nós temos de debater isso. Ninguém serve a dois senhores ao mesmo tempo. Ou você serve aos banqueiros ou serve ao outro lado da rua, a não ser que você queira conjugar e servir os dois ao mesmo tempo, entendendo que são todos do mesmo time.

Que País é este? Que País é este? Se este País fosse sério, num momento como este, com nove ministros denunciados, nove ministros denunciados... O Presidente tem foro especial, mas está denunciado em São Paulo e também em outras instâncias. É só terminar a imunidade que ele vai ter de responder. Doze governadores e centenas de homens da área pública e da área privada. Se fosse um País sério, pessoal... Veja o que fizeram os ingleses. Quando houve uma discordância em relação ao mercado comum europeu, anteciparam as eleições em três anos, e ninguém morreu. E nem precisaram fazer greve como estamos fazendo hoje aqui.

Aqui no Brasil, as pessoas chegam a um ponto e se agarram ao poder de forma tal que não têm a grandeza de dizer o seguinte: Presidente Temer, por que você não renuncia? Eu renuncio ao meu mandato sem tem problema algum. E vamos para as eleições gerais! Eu renuncio, você renuncia. Estou dizendo "eu" simbolicamente. O Congresso renunciaria, você renunciaria, e deixem o povo eleger. Vamos voltar à normalidade.

Eu dizia, quando começou essa loucura de você chegar pela porta dos fundos, como chegou, que ia acontecer exatamente o que está acontecendo. Tenho vídeos gravados em que digo: isso não vai terminar por causa disso. A crise só vai aumentar. Falava-se em 11 milhões de desempregados, pois hoje se fala em 20 milhões. Você que está em casa sabe: o desemprego aumentou ou não aumentou cada vez mais?

E nem quero dizer que o culpado é ciclano ou beltrano. Eu quero é solução para o nosso País. Eu quero um plano de nação, um projeto de nação. Por que não discutir uma Assembleia Nacional Constituinte, já que o fruto da Assembleia Nacional Constituinte cidadã, de que eu fiz parte, vocês estão rasgando? Já que querem rasgar a Constituição e a CLT como estão rasgando, vamos chamar uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para fazer um outro debate junto às eleições gerais.

Um mérito esse Governo teve: ele conseguiu unir não vou dizer 100%, mas 90% do povo brasileiro contra ele. É só ver o dia de hoje. Quem não quer não vê, claro, faz de conta que não é verdade. [...] O Rio Grande do Sul não é só capital, não; é interior também. E sabe por que que muita loja, comércio, banco e tudo não estão abrindo? Porque eles sabem que não vão vender, é prejuízo só.

Vocês acham que esses milhões e milhões – porque há milhões e milhões que hoje não foram, não é só o que mostra a imprensa; eu estou do lado também daqueles milhões e milhões de brasileiros que estão no silêncio das suas casas, que é a voz dos silenciosos – estão contentes com essas duas reformas? Eu vou pegar só estas duas reformas: da previdência e do trabalho.

É interessante que o Governo, a cada minuto, muda os números: vocês lembram que, na semana passada, eles falavam num déficit de R$250 bi, que depois foi para R$180 bi? Hoje de manhã eles já estão falando que o déficit não chega a R$10 bi. Porque eles já estão dividindo, já virou R$70 bi, R$50 bi, e dividem isso no número de anos que eles falam; daqui a pouco, eles vão reconhecer, como eu estou propondo na CPI, que o déficit não existe.

Essa CPI é a CPI da verdade. Por que não são cobrados os R$426 bilhões de dívida pronta para ser executada? Os procuradores da Fazenda disseram: "Abram o espaço que vamos dizer por que isso aí não foi cobrado ainda". Por que, a cada quatro anos, R$100 bi desaparecem, não chegam à Caixa, somem no meio do caminho, embora tenham sidos recolhidos do trabalhador? Os auditores fiscais da Previdência que me deram esse dado. Por que essas tais listas não saem oficialmente para o Brasil e o mundo saberem?

A manchete no mundo todo é esta: greve geral no Brasil. Não vê quem não quer. Existe gente que prefere, como eu digo sempre... E ganhei até uma charge que diz: "Eles enfiam a cabeça na areia que nem avestruz porque não querem ver o que está acontecendo".

Nós estamos quase numa guerra civil neste País e me parece que ninguém quer debater isso! É só votar e retirar direitos dos mais pobres. Eu fico impressionado com a covardia de alguns, que dizem: "Ah, mas essas reformas são para tirar direito dos poderosos." Mentira! Houve uma reforma da previdência, em 2013, que já limitou, na área pública, em cinco mil e poucos reais o teto. Ninguém mais se aposenta depois de 2013, que tenha entrado dali para frente, com o teto da sua atividade. Ela vai pegar é os fracos mesmo!

Calcule a situação do trabalhador rural! Os trabalhadores rurais estão parados, caminhando, protestando. Digam um único Estado em que não houve paralisação hoje? Em todos houve paralisações. Em todos!

Ah, meus amigos e minhas amigas, eu sempre disse que aqueles que não conhecem o nosso povo, a nossa gente cutucam. Quando eu digo cutucam, é cutucar o tigre com a vara curta. Esse povo está reagindo.

E digo ainda à sua cidade neste momento: ela está funcionando normalmente? Não está; 70%, 80% da cidade está parada. Não adianta um ou outro querer dizer: "Não, mas o aeroporto lá começou a abrir." Abriu, mas vai funcionar de que jeito? Com a insegurança de voo num momento desse? Os metroviários, os ferroviários, os bancários, os professores, os trabalhadores rurais, esta é, sem sombra de dúvida, sim, a maior greve da história deste País! É maior até do que aquela última grande, que foi há cem anos.

O Governo conseguiu unificar contra ele todos, todas as centrais – todas! Não há uma central que não esteja na rua com seus militantes, dialogando com a população, fazendo o debate. Não há uma central!

Há encontros e desencontros? É claro que há. Mas vão querer o quê? Vão querer o quê? Falem para mim: vão querer o quê? Eu me coloco no lugar deles. É claro que eu ia para as ruas.

Por mim, eu não deixaria este Congresso votar de jeito nenhum essas duas reformas, porque elas são contra o povo.

Viajei por todos os 27 Estados e fiz debate em todas as assembleias. Todos disseram "não" à terceirização. Aí, a turminha da Câmara, assustada – tinha que entregar o peixe, como nós falamos, para os seus patrões –, desarquivou um projeto de 1998, porque não quis enfrentar o debate no Senado. Ficaram com medo. É por isso que arrancaram o projeto lá de 1998 e o aprovaram. Em relação àquele que estamos debatendo aqui e que é dez vezes melhor, eles se fizeram de mortos: "Faz de conta de que aquele que nós já aprovamos na Câmara e que está no Senado não existe mais."

Lembram-se do projeto para regulamentar o trabalho escravo? Queriam, da noite para o dia, regulamentá-lo. Peguei o projeto para relatar, assim como o da terceirização. Regulamentar, da forma como eles queriam, era oficializar o trabalho escravo. Eu disse: "Neca, neca." Aqui não passou.

Trabalho intermitente: por aqui ainda não passou.

Por isso, meus amigos, eu tenho muita esperança na pressão popular legítima e democrática.

Senador Paulo Paim - Plenário do Senado em 28/04/2017. [editado, grifos meu]

Trabalhadores da UFSC aderem à greve geral do dia 28 de abril

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Centrais Sindicais de todo o país convocaram uma Greve Geral nesta sexta-feira, dia 28 de abril. O movimento é contrário à lei da terceirização, já sancionada, e às reformas trabalhistas e previdenciárias, que devem ser votadas nesta semana no Congresso Nacional.
Os sindicatos ligados à UFSC já se manifestaram. Os técnicos-administrativos em Educação, filiados ao Sindicato dos Trabalhadores da UFSC (Sintufsc) e os docentes filiados à Seção Sindical na UFSC do Andes-SN aprovaram a adesão em votações. O Sintufsc irá participar de diversas mobilizações, a começar pela atividade unificada prevista para o dia 27, promovida pelo Fórum Catarinense em Defesa dos Direitos, às 17h, na Praça do Sintraturb (ao lado do Terminal de Integração do Centro – Ticen). No local será montada estrutura de barracões para uma vigília. O Andes/UFSC realizará uma Assembleia Universitária na quinta-feira, dia 27, às 18h30, no Hall da Reitoria, para traçar estratégias de mobilização para docentes, técnicos e estudantes.
O Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc-Sindical) realizou uma enquete com seus filiados para saber a opinião dos docentes sobre a paralisação. Responderam à pesquisa 495 filiados, dos quais 291 são professores da ativa e 204 são aposentados. Entre os docentes da ativa, 183 responderam que são favoráveis à paralisação, 99 contra e nove se abstiveram. Entre os aposentados, 49% afirmaram que são favoráveis ao movimento, 40,7% são contra e 10,5% se abstiveram. Depois de analisarem o resultado, os conselheiros da Apufsc decidiram convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para o dia 28 de abril, às 9h, que decidirá sobre o posicionamento da Apufsc frente às Reformas da Previdência e trabalhista.
Outras centrais sindicais  de âmbito nacional e estadual, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central Sindical e Popular (CSP), o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setpesc), a Força Sindical, a Intersindical, a Nova Central Sindical de Trabalhadores e a União Geral dos Trabalhadores (UGT) também manifestaram adesão. Os servidores da Prefeitura Municipal de Florianópolis e da Comcap irão paralisar. O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano de Florianópolis (Sintraturb) agendou uma assembleia para deliberar a paralisação para a noite de quinta-feira, dia 27. A previsão em Florianópolis é que haja uma oferta menor do transporte público, que a coleta de lixo seja suspensa, que algumas escolas e creches não tenham aulas e que as UPAs estejam fechadas.
Conforme calendário de mobilizações divulgado nas redes sociais pelos grupos organizadores, uma agenda de atividades está sendo construída. Estão sendo planejadas atividades no centro de Florianópolis a partir das 9h de sexta-feira. Uma marcha da UFSC ao centro da cidade tem saída prevista para o meio-dia, do Varandão do Centro de Comunicação e Expressão (CCE). Um grande ato está sendo programado para as 16h, na Praça Tancredo Neves.
Administração Central
A Administração Central da UFSC não encaminhou um comunicado formal, mas, esclareceu que, conforme posicionamento demostrado em ocasiões similares, solicita que sejam mantidas as atividades, porém sem que haja prejuízo aos estudantes, especialmente no que diz respeito a provas e avaliações e entrega de trabalhos.
Restaurante Universitário (RU)
A Direção do Restaurante Universitário da Trindade comunica que, em razão da informação recebida acerca da adesão de parcela de seus trabalhadores à greve, não será possível o preparo e fornecimento de refeições pela unidade. Para os estudantes isentos, o atendimento será garantido pelo RU do CCA, já acionado e mobilizado para absorção da demanda.
Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI)
A diretora do NDI, Eloisa Fortkamp, comunicou à Agecom por e-mail que os professores e servidores técnico-administrativos do Núcleo irão aderir à Greve Geral.
Colégio de Aplicação (CA)
A direção do CA publicou um comunicado no site da escola, direcionado aos pais e responsáveis, informando que um número expressivo de servidores docentes dos anos Iniciais, Finais e Ensino Médio e servidores técnico-administrativos dos diversos setores da escola irão aderir à Greve Geral. Dessa forma, alerta que o atendimento aos estudantes da escola ficará fortemente prejudicado neste dia.
Centro Tecnológico (CTC)
A direção do Centro informou, por e-mail, que, por se tratar de um movimento de adesão, seja por categorias ou individualmente, uma avaliação consistente da situação torna-se difícil e a margem de erro é significativa. Em vista disso, continuará monitorando a situação e, por precaução, enviará Memorando Circular aos docentes solicitando que não sejam feitas avaliações na sexta-feira e que os professores avaliem a evolução do movimento para decidir o que fazer nos diferentes períodos que ministram aulas.
Centro de Ciências Agrárias (CCA)
Haverá atividades de paralisação (professores, alunos e servidores) no hall do CCA, a partir das 7h30 . O RU-CCA irá atender os isentos do RU Trindade. Desta forma, a direção recomenda que a comunidade se organize em relação aos horários para evitar filas. A direção também pede compreensão a todos para dar direito de ir e vir a toda comunidade do CCA que necessite manter atividades essenciais e que foram marcadas com antecedência (bancas de mestrado, doutorado, concursos e outros). Para as aulas que ocorrerem, a ausência de transporte público também é condicionante para que a frequência dos alunos nas disciplinas desenvolvidas nas sextas-feiras não seja prejudicada. Como a paralisação ocorre na sexta, a direção lembra que será a terceira semana consecutiva sem conteúdo e recomendamos os meios cabíveis para não prejudicar a formação dos acadêmicos.
Fonte: Agecom/UFSC - originalmente publicado em  http://noticias.ufsc.br/2017/04/greve-geral-nesta-sexta-feira-dia-28-tem-adesao-de-setores-da-ufsc/ Acesso em 27/04/2017.

Nós estamos levando este País para uma convulsão social, diz senadora

Plenário do Senado
Após o embate entre policiais e índios em frente ao Congresso Nacional, onde os índios foram recebidos com balas e bombas de efeito moral a Senadora Gleisi Hoffmann faz um pronunciamento denunciando o ocorrido e chamando à responsabilidade seus pares, afirmando que o país está próximo de uma convulsão social. Segue trechos do pronunciamento.

"O que nós assistimos aqui nesse campo de guerra na frente do Congresso Nacional é injustificável. Isso daqui é bomba, isso aqui é bala de borracha. O pouco que eu trouxe – e tem mais aqui. Os índios foram tratados desse jeito ao chegar perto do Congresso Nacional. Falei com os policiais também, para saber qual era a visão deles sobre isso. E disseram que estavam ali defendendo o Congresso Nacional.

O que está acontecendo neste País, Sr. Presidente, é muito sério. Nós estamos colocando trabalhadores contra trabalhadores, policiais para massacrar o nosso povo pela incompetência política deste Congresso Nacional, pela incompetência política deste Governo, que não consegue resolver os problemas do povo.

Nós tivemos nove trabalhadores sem-terra assassinados; nós temos agora os índios sendo recebidos à bala; nós temos os movimentos sociais descriminalizados. Que país é esse, que fez uma das Constituições mais avançadas de todos os tempos, que foi a Constituição de 88, e nós estamos tratando os movimentos sociais desta maneira?

É incompetência política. Se nós temos a Polícia hoje, aqui, recebendo o trabalhador; se nós temos a Polícia recebendo indígena; se nós temos a Polícia recebendo sem-terra, é incompetência política nossa de fazer as mediações necessárias para os direitos de que a sociedade precisa.

Não é possível a Funai ser desmontada como está sendo desmontada. As pessoas estão sendo demitidas. O Ministro da Justiça tem lado, e não é o lado do povo, não é o lado dos índios, sequer consegue mediar conflitos, porque ele tem lado – é o lado que mata o índio, é o lado que mata o povo.

Não é possível que a gente assista a tudo isso e dê esse vexame para o mundo. O Brasil, que já foi um País que teve reconhecimento internacional nas tratativas de vários direitos humanos, agora está aí nessa situação.

Queria pedir, Sr. Presidente, pedir ao Congresso, pedir aqui aos Senadores – Senadores da situação, da Base do Governo, Senadores aqui do PSDB, porque têm muitos Senadores do Nordeste, da Região Norte, que tem população indígena, Senadores do PTB, do PSB, que já estão juntos – para que a gente encontre uma saída.

Não é possível o Conselho Indigenista não se reunir. Não é possível retirarem os médicos do Mais Médicos das comunidades indígenas. Não é possível os índios virem para cá para fazerem as suas reivindicações e o Congresso Nacional não conseguir fazer uma mediação e, na primeira tentativa de entrada aqui, são recebidos à bala.

Nós temos que reconhecer a nossa incompetência política como Senadores, como Deputados, como Congresso Nacional, e esse Governo ilegítimo, que, ao invés de fazer mediação, faz confronto, ao invés de fazer mediação, enfrenta e não dá os direitos.

Por isso, queria deixar este alerta. Nós estamos levando este País para uma convulsão social – estamos levando este País para uma convulsão social. Ou a gente tem consciência disso e faz alguma coisa, rápido, ou nós vamos ser responsáveis pela convulsão social que o Brasil terá."

Pronunciamento (editado) da Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) no Plenário do Senado em 25/04/2017.

Greve Geral no Brasil: Faltam dois dias

Foto: Pixabay
Quero lembrar que faltam somente dois dias – faltam dois dias para termos, no Brasil, a maior paralisação de todos os tempos. Já aviso: não vá ao aeroporto no dia 28. No dia 28 os aviões... Já decidiram em assembleia por parte dos aeroviários e não vai ter voo.

Os motoristas de caminhão e de ônibus também estão na mesma linha. Os ferroviários, os metroviários, com os professores, com servidores públicos. A palavra de ordem: paralisação de um dia que vai repercutir nas nossas vidas, quem sabe para a geração presente e até para a geração futura.

Por que essa paralisação? Por que a greve geral? Contra as duas reformas: a reforma da previdência e a reforma trabalhista.

Greve geral no Brasil dia 28/04/2017.

Greve geral do dia 28 marcará gerações futuras, diz Paulo Paim

Em pronunciamento nesta terça-feira (25), o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que a greve geral convocada para a próxima sexta-feira (28) vai repercutir na vida das gerações presentes e futuras.
Paim ressaltou que a paralisação contará com a adesão de aeroviários, rodoviários, metroviários, caminhoneiros, entre outras categorias profissionais, além de vereadores e funcionários públicos.
O senador explicou que a paralisação assinala a posição contrária das centrais sindicais em relação às reformas trabalhista e da Previdência, propostas pelo governo Michel Temer. 
Fonte: Agência Senado

Na tribuna do senado o senador Lindbergh Farias eleva o tom contra a senadora Ana Amélia acusando-a de ter votado num golpe de estado e contra a democracia. Veja no vídeo.

Pequenas verdades

UM RESUMO DO QUE FOI DITO, MAS NÃO FOI MOSTRADO NA GRANDE MÍDIA.

Regina Sousa acusa governo de ignorar o Dia do Índio
O silêncio do governo Temer no Dia do Índio foi criticado por Regina Sousa (PT-PI). Ela observou que não foi anunciada nenhuma medida em favor dos povos indígenas, que vivem sob constante ataque de diversos grupos econômicos. — Já é tradição em nosso país que o governo anuncie neste dia as novas áreas demarcadas, os avanços em setores como saúde, educação, entre outros. Infelizmente, ela foi quebrada neste ano — afirmou.

Paim relata manifestações contrárias às reformas
Paulo Paim (PT-RS) informou, na quarta- -feira, que recebeu vereadores da Paraíba que estão capitaneando um movimento contrário às reformas trabalhista e da Previdência. O senador relatou também ter recebido nota pública contrária às reformas assinada por associações de membros do Ministério Público, da Justiça do Trabalho e de juízes federais. Ele ainda convidou todos os trabalhadores para a greve geral convocada para sexta-feira.

Gleisi: Temer é “cara de pau” por mudar aposentadorias
Gleisi Hoffmann (PTPR) criticou a reforma da Previdência apresentada pelo governo Michel Temer. Segundo ela, trata-se de algo tão “ruim e perverso” que até a base parlamentar governista tem dificuldade para aprová-la. Referindo-se a Temer, a senadora disse que é muita “cara de pau” que um presidente aposentado aos 55 anos apresente tais propostas. Ela garantiu que a PEC será alterada pelos senadores.

Para Vanessa, tempo tem mostrado que Dilma sofreu golpe
V a n e s s a G r a z z i o t i n (PCdoB-AM) lembrou, na quinta-feira, que, em 17 de abril de 2016, a Câmara dava início ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff ao autorizar a abertura do processo pelo Senado. Para a senadora, o “desvio de finalidade” do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de dar curso a uma ação política de “promover o golpe” fica cada vez mais claro. — A decisão política já estava tomada, mas o tempo é o senhor da razão. E o tempo tem mostrado que o que aconteceu no dia 17, tendo início nesse dia, foi um golpe parlamentar efetivo.

Jorge Viana defende antecipação de eleição direta à Presidência
A saída para crise econômica e política que assola o país passa pela antecipa- ção das elei- ções diretas, afirmou Jorge Viana (PT-AC) no Plenário. Ele apresentou pesquisas que apontam que Luiz Inácio Lula da Silva tem o maior eleitorado cativo entre possíveis candidatos a presidente. Para o senador, o povo não esqueceu das conquistas sociais dos governos petistas. — Só tem um remédio para a crise: mais eleição. Vamos antecipar as eleições diretas. É o único caminho, em vez de ficar falando sem a devida autoridade em nome do povo.

Fonte: Jornal do Seando, Brasília, segunda-feira, 24 de abril de 2017.

O Brasil pós impeachment é um total descalabro, diz senadora

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Diziam que a crise econômica se resolveria com relativa facilidade e presteza, assim que Dilma Rousseff fosse afastada. Mas o que se vê é um total descalabro.

O que se vê são famílias e empresas com níveis recordes de endividamento, taxas de juros e spreads bancários estratosféricos, massa salarial em queda, acentuado desemprego.

Conforme o IBGE, o desemprego continua a aumentar, Senador Elmano, e bateu seu recorde histórico. A taxa de desemprego foi estimada em 13,2% no trimestre encerrado em fevereiro de 2017. Essa foi a maior taxa de desocupação da série histórica, iniciada em 2012. A população desempregada chegou a 13,5 milhões e bateu o recorde da série iniciada em 2012.

Segundo o IBGE, as vendas do comércio varejista brasileiro recuaram 6,2% em 2016. Também é a queda maior da série histórica, que foi iniciada em 2001.

Após uma queda de 3,6% em 2016, a atividade econômica não dá sinais de recuperação. Conforme o Índice de Atividade Econômica do Banco Central divulgado em fevereiro, a atividade econômica voltou a cair, a economia voltou a cair em janeiro de 2017. Caiu 0,79% em relação ao mesmo mês do ano anterior e 4,4% no acumulado dos 12 meses anteriores.

Que mudança melhor que nós temos para a economia, como diziam aqui aqueles que defendiam o impeachment, que era só mudar a Presidenta que tudo seria transformado como num passe de mágica?

Os mecanismos de que a economia brasileira dispõe para alavancar seu crescimento estão sendo desmontados. A cadeia de petróleo e gás, responsável por 13% do PIB está desarticulada, junto com a construção civil pesada. Até a produção de carnes, fundamental para nossas exportações, foi atrapalhada pelas trapalhadas de procuradores e delegados sedentos de holofotes.

A política de conteúdo local e outros mecanismos de estímulo à economia nacional já não existem mais. Postos do pré-sal, nosso passaporte para o futuro, e do pós-sal estão sendo vendidos a preços aviltados. O crédito público, inclusive o BNDES, instrumento fundamental para a superação do primeiro impacto da crise mundial em 2009 e 2010, está estancado, justamente no momento em que o crédito privado minguou. E não há perspectivas de melhoras – há no entendimento deles.

Embora se considere natural que o decréscimo econômico tenda a ser menor este ano, após duas quedas brutais do PIB, nada indica que a recuperação tenha voltado. Ao contrário, as previsões mais confiáveis apontam para a nova queda do PIB em 2017.

Agora, com o anúncio do novo rombo orçamentário de R$58 bilhões do primeiro bimestre, o Governo sem votos começa a ficar também sem apoiadores firmes, até mesmo entre as oligarquias neoliberais. À exceção de alguns investidores externos, que estão comprando o nosso patrimônio a preço de banana, todos estão frustrados com o pífio desempenho econômico do golpe. Para completar o quadro, o Governo do golpe continua e continuará isolado no plano externo.

Fonte: Trecho do discurso da Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) no plenário do Senado em 18/04/2017.

O Aécio Neves tem rejeição maior que o Presidente Lula.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
[...] de uns três anos para cá, depois dessa operação [Lava Jato], o Presidente Lula é o foco. Todo mundo diz que estão fazendo isso, porque, se o Presidente Lula for candidato a Presidente, ele vai ganhar, que é o que as pesquisas mostram. Ninguém aguentaria uma carga de críticas como essa, como está aguentando o Presidente Lula. Ele aguenta por quê? Porque tem raiz popular, porque as pessoas se lembram do que ele fez.

É a lembrança do bolso, inclusive, do tempo em que havia renda neste País, do tempo em que os pobres eram olhados, do tempo em que havia programa social, do tempo em que o Brasil estava se desenvolvendo. É isso que faz as pessoas olharem para o Lula e dizerem: "Com ele, nós vivemos melhor!" É impressionante também como a mídia acaba trazendo o foco para cima do Presidente. Agora, estouram essas denúncias todas, com a lista da Odebrecht, fala-se tudo, há casos gravíssimos, mas o peso ainda é o Presidente Lula.

O jornalista Fernando Rodrigues fez um ranking da aparição de quem estava na lista da Odebrecht que saiu no Jornal Nacional. Das quatro horas de jornal, 33 minutos foram para o Presidente Lula e apenas 16 minutos para o segundo colocado, que é o Senador Aécio Neves. O Aécio Neves tem rejeição maior que o Presidente Lula.

E eu me lembro de vários pronunciamentos do Senador Aécio Neves aqui dentro [no Senado], moralizantes, falando contra o PT e dizendo que era o Partido mais corrupto da Nação, da história, interplanetário [...] uma organização criminosa. Insuflou a opinião pública contra, falou, falou. Aí, agora, veio uma onda que passou por cima deles. E é o que dá. Na realidade o que eles queriam era fazer uma disputa política rasa e não discutir realmente saídas para o Brasil ou saídas para esta crise política.

Estão massacrando o Presidente Lula, quando, na realidade, nós temos outros atores muito mais comprometidos com o que aconteceu e com situações muito mais graves envolvendo seus nomes e carreira política.

O texto acima reflete a fala da Senadora Gleisi Hoffmann proferida no Senado Federal em 20/04/2017. (editado).

Mais democracia

Aqui faço o registro de trechos do pronunciamento do senador Jorge Viana (PT-AC) proferido no dia 20 de abril onde fala, entre outras coisas, sobre o impeachment e suas consequências e as desigualdades no Brasil. Segue abaixo o discurso (editado).

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
"No dia 17 último, lembrou-se um ano de um impeachment que era a tábua de salvação para o Sr. Eduardo Cunha, na Câmara, e sua trupe. Venderam para o Brasil a ideia de que o problema todo era a Presidente Dilma, era o governo que tinha recém vindo das urnas, que tinha recebido 54 milhões de votos. O problema era o PT, e tinha que tirar.

O desemprego aumentou em quase 5 milhões de brasileiros do dia em que a crise começou até a presente data. Os indicadores econômicos pioraram. Os sociais não só pioraram, como estão ameaçados. O que estão fazendo é um desmonte das leis trabalhistas, tentando levar o Brasil para era pré-Vargas, tirando todo e qualquer direito, num momento de muita dificuldade que o País vive, e essa dificuldade se materializa na dificuldade de cada brasileiro e de cada brasileira, que ficam hoje, muitos deles, 13,5 milhões, atrás de uma oportunidade de trabalho. Depois de o Brasil ter vivido, no governo Dilma e especialmente no governo do Presidente Lula, a geração de 20 milhões de empregos com carteira assinada.

Sou favorável a uma modernização das leis trabalhistas, mas não levá-las para uma era pré-Vargas; trazê-las para o século XXI. Sou favorável a que se reduza drasticamente o desperdício do dinheiro público nos gastos dos Municípios, dos Estados e da União. Sou amplamente favorável a termos uma radical mudança no sistema político-eleitoral brasileiro, que faliu, venceu a validade.

Mas venderam um Brasil e estão entregando outro. Agora estão dizendo que fomos nós que geramos 13 milhões de desempregados. Não, quando estávamos vivendo o pleno emprego, nós tínhamos 6 milhões de pessoas desempregadas já, ou 7, porque é assim que funciona quando há o pleno emprego. São pessoas que estão saindo de um emprego para outro. O problema é que 7 milhões foram desempregados de quando essa crise começou para cá, e não adianta querer pôr na conta de um governo que já saiu, como o caso do governo da Presidenta Dilma. Passado esse período, o que é que nós temos hoje? A crise econômica mais grave, a crise institucional chegando ao limite, a ponto de que ninguém sabe o dia de amanhã.

Foi dito aqui, desta tribuna, pelo hoje Presidente do PMDB que a Presidente Dilma não poderia ficar, porque não tinha apoio popular. A avaliação dela, positiva, era de 10%. Foi aqui, desta tribuna pelo Senador Jucá. E com 10% de apoio, não se sustenta um governo. O atual tem 5% de apoio, 5%. Não passou nas urnas, e quer, sem o apoio popular verdadeiro, promover as mais radicais mudanças no Estado brasileiro: venda das terras brasileiras para estrangeiros; entrega do subsolo brasileiro; desmonte das leis trabalhistas, com um mínimo de garantia para os trabalhadores; e uma previdência que impede, especialmente para as mulheres trabalhadoras rurais deste País...

Este País tem tanta desigualdade, a ponto de haver uma grande desigualdade da perspectiva de vida entre quem vive no Sul maravilha, no Centro-Sul – não chamo nem de Sul maravilha, porque estamos também passando muita dificuldade em toda parte. Antes era assim que se falava, sem nenhum termo pejorativo. Mas, no Norte e no Nordeste, há uma diferença de mais de dez anos de perspectiva de vida, especialmente para as mulheres sofridas do Nordeste e da minha Região, no Norte do Brasil.

Querem que agora a trabalhadora rural morra sem se aposentar. É isto que estão propondo: um desmonte completo em algo que é de direito. Trabalhou, esforçou-se, sofreu, virou avó, virou avô, já criou os filhos, tem o direito a ter uma aposentadoria. Isso, em qualquer país civilizado do mundo, é assim. Aqui, no Brasil, querem fazer diferente.

E aí, em nome da opinião pública, fizeram tudo isto no nosso País: mudaram; desrespeitaram os 54 milhões de votos; puseram um Governo que não passou nas urnas; danificaram a democracia, a jovem democracia brasileira. E eu pergunto qual é a solução? Em uma democracia, a solução para eles é menos democracia; menos participação direta da população. E, para nós, qual é? Mais democracia."

Fonte: Senado Federal - originalmente publicado em http://www12.senado.leg.br/multimidia/evento/72543

Tivemos um golpe Parlamentar, diz Senadora

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
O Presidente da República, que assumiu o Governo ilegitimamente, Michel Temer, confessou, no último dia 15 de abril agora, o que denunciamos inúmeras vezes aqui mesmo nesta tribuna e na Comissão instaurada do Impeachment. Confessou o que a defesa da Presidenta eleita Dilma Rousseff alegou e fundamentou e que foi rejeitado pelo Relator nesta Casa: o claro, evidente e espúrio desvio de finalidade.

O Presidente ilegítimo Michel Temer confessou em entrevista transmitida ao vivo, em grande rede de televisão, aquilo que a antiga oposição e hoje sua Base Parlamentar se recusou a admitir. Aliás, é surpreendente, para não dizer absurdo, o absoluto silêncio da grande mídia sobre essa confissão pública de Temer.

Vale inclusive registrar as palavras da Presidenta Dilma sobre o assunto: "Em qualquer lugar do mundo, essa é uma declaração que enseja a característica de desvio de finalidade do impeachment: um Presidente da República aceitando que era normal a chantagem, que se tivéssemos cedido a ela, eu ainda estaria na Presidência. Pergunto eu: algum impresso registrou essa denúncia feita em canal aberto de televisão? Ninguém. Só a rede social."

Além disso, na resposta enviada da prisão, em carta escrita de próprio punho, o ex-Presidente da Câmara Eduardo Cunha afirmou que o parecer de abertura do impeachment foi submetido a Temer, que teria dado o "de acordo." Ou seja, o Presidente que hoje assume o Palácio do Planalto deu o seu "de acordo" num parecer que ensejou a abertura do processo de impeachment. Fala os detalhes de dia, hora e local da armação para depor a Presidenta eleita. Um bilhete vindo da prisão.

Não estamos aqui preocupados com a verdade de um ou de outro. De qualquer forma, são narrativas de fatos indignos, desprezíveis e desonestos; duas versões igualmente sujas, que confirmam tudo aquilo que dissemos durante meses: tivemos um golpe Parlamentar. E o que vamos agora, Srs. Senadores e Srªs Senadoras, fazer diante dessas confissões? Silenciar como a grande mídia?

Fonte: Trecho do discurso da Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) no plenário do Senado em 18/04/2017.

Perseguiçã a Lula é implacável na grande imprensa, diz senadora

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
A perseguição ao Presidente Lula segue ainda mais implacável na grande imprensa. De acordo com o drive do jornalista Fernando Rodrigues, desde o lançamento da lista da Odebrecht – mais especificamente de terça-feira, dia 11, até sábado, dia 15 –, o Jornal Nacional, da Rede Globo, veiculou pouco mais de 4 horas, 3 minutos e 48 segundos de reportagens sobre o tema, sendo que 33 minutos e 32 segundos foram destinados ao ex-Presidente Lula. Das 4 horas de veiculação em Jornal Nacional, 33 minutos e 32 segundos foram destinados ao ex-Presidente Lula. Em segundo lugar, vem o atual Senador e Presidente do PSDB, Aécio Neves, com 16 minutos e 27 segundos, menos da metade do tempo, portanto.

É injustificável isso! A Globo é uma concessionária de serviço público, tem que prestar contas de como está manipulando a forma de expor suas informações. Isso não é jornalismo; isso é perseguição – o que estão fazendo com o Lula. Pelo medo de quê? De que ele seja candidato, de que ele venha a ser novamente eleito Presidente da República.

O atual Presidente da República, Michel Temer, responsável pelos rumos do País, que também está envolvido, teve apenas 5 minutos e 28 segundos. Isso sem falar na pouquíssima repercussão de sua confissão sobre o golpe na TV Band e sobre a carta de Eduardo Cunha sobre o impeachment.

Eduardo Cunha mandou uma carta da cadeia para jornalistas, falando sobre a participação de Temer no impeachment. Isso não é notícia, mas o Presidente Lula fica por 33 minutos no Jornal Nacional. E os outros que estão na lista Odebrecht, que, inclusive, são mais envolvidos, têm mais problemas... Porque o Presidente Lula não tem dinheiro no exterior, não tem conta na Suíça, não distribuiu dinheiro lá. Não. O Presidente Lula fica; esses outros, não. Esses outros vão pouco para a televisão.

Fonte: Trecho do discurso da Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) no plenário do Senado em 18/04/2017.

Instagram‬, ‪Snapchat‬‬ e sua Vida Social

Quem não tem Instagram, Snapchat, Facebook, Twitter ou qualquer outra rede social que jogue o primeiro celular.

Dificilmente encontraremos um aparelho móvel que não possua em sua lista de aplicativos ativos um que dê acesso a alguma rede social ou serviço de mensagem instantânea.

O fato é que estes meios de comunicação que surgiram para diminuir a distância entre as pessoas está provocando, contraditoriamente, o distanciamento delas. Uma viagem pode ser adiada e o encontro com um familiar que há muito tempo não se via pode mais uma vez ficar para depois e a saudade, bom a saudade será "minimizada" pelo uso das redes sociais.

Mas será que esses usos não está fazendo exatamente o oposto? Hoje já não se esforça-se para estar junto do outro. Quer um almoço ou um café de final de tarde mais próximo de quem se gosta? Basta enviar uma foto dos pratos e assim, ilusoriamente acreditar que estamos mais próximos de quem gostamos.

Fico a imaginar o que irá acontecer com todos nós quando essa ilusão de proximidade acabar ou pior, quando não tiver mais pessoas amadas para "curtir" nossas fotos e mensagens.

você acha que esses são usos saudáveis? Será que esses usos terão novos formas em tempos futuros? Deixe sua opinião nos comentários deste post. Socialize suas ideias.😉

Vacinação começa na segunda

A Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe começa na próxima segunda-feira 17 de abril e vai até 26 de maio. O principal objetivo da campanha é reduzir as hospitalizações e a ocorrência de mortes relacionadas à influenza.

A novidade deste ano, é que professores da rede pública e privada passam pela primeira vez a fazer parte do público alvo.

De acordo com o ministro saúde, Ricardo Barros, a vacinação será realizada nas próprias escolas.

O dia D de mobilização nacional será no sábado, 13 de maio.

O governo estima imunizar 54 milhões de pessoas em todo o país, a meta é  atingir 90% da população considerada de risco para complicações por gripe. Em todo o ano passado houve 1900 óbitos por Influenza. Só este ano 48 pessoas morreram em decorrência da doença. 

Além de professores,  idosos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, trabalhadores dá saúde, povos indígenas, gestantes, mulheres que deram à luz há 45 dias, e pessoas privadas de liberdade, portadores de doença crônica devem se vacinar.

A imunização contra a gripe protege contra 3 tipos de vírus dá gripe: Influenza A, H1N1 e H3N2 e Influenza B.

A vacina é segura e apenas pessoas que têm alergia ao ovo devem procurar o médico para orientações.

Com informações da EBC.

MÍDIA E PODER

Qual a relação que podemos estabelecer entre mídia e poder? O vídeo deste post faz uma breve análise entre a mídia tradicional e as novas formas de comunicação e informação. O motivo? Clique no play e descubra.



Voto em Lista

O Senador Randolfe Rodrigues (REDE - AP) afirmou no Senado Federal na terça-feira (11) que voto em lista é golpe.

Rodrigues afirma que o voto em lista serve apenas para mascarar a vontade do cidadão eleitor. E faz duras críticas à Câmara dos Deputados pela forma como tratou o tema.

Veja trechos do pronunciamento do Senador Randolfe Rodrigue (editado para fluidez do texto) "Voto em lista a essa altura é golpe. É golpe para não dar ao cidadão, ao eleitor, a capacidade de surpreender na eleição [...], para mascarar a vontade do cidadão através das listas partidárias. O consenso – entre aspas "consenso" – que está se formando hoje em torno do voto em lista não é programático. O consenso está se formando, é eventual, é circunstancial, é oportunista, é por conta das notórias investigações que estão em curso. Voto em lista e principalmente como veio no relatório da Câmara dos Deputados... O relatório da Câmara dos Deputados, pasme, [...] estabelece a possibilidade do voto em lista, de o cidadão ser candidato ao Senado da República e estar na mesma lista para Deputado Federal. Na verdade, é um mecanismo para desviar a soberana vontade popular na eleição do ano que vem."

Não consigo ver com bons olhos o voto em lista, a atual situação do congresso brasileiro apenas reforça os argumentos do Senador Rodrigues. Querer emplacar o voto em lista é querer manter os privilégios parlamentares daqueles que muito tem a explicar para a justiça e para o povo brasileiro.

Entenda a polêmica sobre a discussão de gênero nos planos de educação


Polêmicas tanto no Plano Nacional de Educação (PNE) quanto nos Planos Estaduais e Municipais, as metas relacionadas ao combate à discriminação e desigualdade de gênero tem provocado intenso debate público em todo o país. As discussões se intensificaram desde que, em junho de 2014, foi instituído o prazo de um ano para que estados e municípios aprovassem documentos para sua educação nos próximos dez anos.

Podendo contribuir com o combate à exclusão escolar e com a garantia do direito à educação para toda a população, este tema tem sofrido resistências de setores conservadores e, em alguns municípios e estados, tem sido retirado dos Planos de Educação. Mas o que é possível fazer caso a igualdade de gênero não tiver sido aprovada no Plano?

Apesar de ressaltar a importância do Plano de Educação como instrumento para o planejamento educacional a longo prazo, a socióloga e coordenadora do programa de educação do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Suelaine Carneiro, aponta que tanto a Constituição Federal quanto os tratados internacionais*, dos quais o Brasil é signatário, fundamentam e possibilitam a presença da igualdade de gênero nas políticas educacionais e no cotidiano da escola.

No âmbito escolar, segundo a coordenadora, é necessário estabelecer estratégias para que a igualdade de gênero possa estar presente no currículo e no planejamento pedagógico da unidade educacional.

“A igualdade de gênero deve ser discutida no âmbito dos direitos humanos, abordando o respeito entre as pessoas e garantindo o direito a sua identidade de gênero, racial e de pertencimento religioso”, citou.
Para além de garantir o que está determinado na lei em âmbito nacional e internacional, a igualdade de gênero na educação possibilita que a escola dialogue e trabalhe com temas e conflitos presentes no dia a dia das salas de aula. “São as situações do cotidiano que pressionam para que sejam promovidas atividades e formações de professores para esta temática”, afirmou o doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da organização Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor), Lula Ramires.

Lula defende que a escola deve propor as mesmas oportunidades para meninos e meninas, contribuindo com sua autonomia e com a construção de uma sociedade sem violência de gênero física e psicológica. “No âmbito da escola, é possível realizar projetos interdisciplinares, eventos, apresentações artísticas, concurso de cartazes e programas de rádio sobre este tema”, exemplifica o coordenador.

Por que falar de gênero?

"A escola é um campo fértil para identificação das questões que envolvem a opressão, os preconceitos, a homofobia, o sexismo, o racismo e outras iniquidades”, de acordo com a coordenadora da Rede de Gênero e Educação em Sexualidade (Reges), Sylvia Cavasin.
“Essas questões estão postas no dia a dia escolar e não há como a escola ignorar essa realidade. A intervenção é um procedimento educativo e necessário e está diretamente relacionada à garantia e reconhecimento das diversidades e dos direitos de cidadania”, destacou a coordenadora que é também coordenadora da organização Ecos – Comunicação em Sexualidade.

Para Sylvia, a recusa e a omissão na discussão sobre a igualdade de gênero é uma posição política que não contribui com a garantia do direito à educação para toda a população.

“Não podemos esquecer que a questão de gênero vai para além da discussão sobre sexualidade. É preciso desconstruir o discurso retrógrado e alienante sobre a denominada ‘ideologia de gênero’. É preciso deixar claro que essa é uma invenção que vai contra as conquistas civilizatórias da sociedade brasileira. É preciso dialogar sobre isso, dentro e fora de escola, em todas as oportunidades e reuniões, nas famílias, na comunidade e na escola”, defendeu.
Mas quais seriam as consequências de uma educação que não aborde as temáticas relacionadas à igualdade de gênero?

“Não falar sobre as questões de gênero permite que uma pessoa não se reconheça no ambiente da escola. E isso pode favorecer a evasão escolar que é um dos grandes problemas da educação brasileira”, apontou Suelaine Carneiro.

“As situações de racismo, homofobia, lesbofobia e demais violências que ocorrem no ambiente escolar não contribuem com uma educação de qualidade e podem levar ao sofrimento, à repetência e à evasão escolar”, reforçou a coordenadora do Geledés.
Disputa acirrada

“Essa é uma disputa que a gente vai ter que fazer dentro das Secretarias de Educação para que prevaleçam estes compromissos [da igualdade de gênero] nas diretrizes educacionais”, destacou Suelaine. E complementou: “agora é o momento para que ocorra a mobilização da sociedade civil, movimentos sociais, organizações, sindicatos, professores, mães, pais, alunos e demais pessoas da comunidade que estejam comprometidos com a garantia de uma educação de qualidade para todas e todos”.

Em meio a este embate ideológico, Lula Ramires recordou a importância do movimento feminista para que a Constituição Federal garantisse a igualdade entre homens e mulheres perante a lei. “Com a aprovação dos Planos, ficou evidente a necessidade dos movimentos feministas e de mulheres voltarem suas ações para a área da educação e exigirem da escola determinados princípios da igualdade e da laicidade”, observou.


* Convenção Internacional sobre os Direitos das Crianças, a Convenção Relativa à Luta contra a Discriminação no Campo do Ensino, a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, entre outros.

Fonte: EBC - CREATIVE COMMONS - CC BY 3.0
Originalmente publicado em http://www.ebc.com.br/educacao/2015/07/entenda-por-que-e-importante-discutir-igualdade-de-genero-nas-escolas

Inveja no Facebook

Tem sempre aquele post no facebook que procura mostrar uma realidade que não existe, principalmente quando a gente conhece pessoalmente o autor da publicação e sabe que aquela fota não expressa a realidade concreta, absoluta... bem você entendeu não é?

Se você conhece alguém assim, mande esse recado para ele.

Margarina, coco e outras coisas

#Fato 1 - Matéria em jornal falando mal da margarina fez o preço da manteiga subir assustadoramente nos supermercados.

#Fato 2 - O preço da margarina não baixou.

#QuemFalaoQueQuer - Mulher leva seu cachorrinho para passear na rua e diz, em entrevista, que gosta de tratar o seu pet como se fosse um de seus filhos.

#OuveoQueNãoQuer - Transeunte que ouvia a entrevista perguntou para a madame se ela também levava os filhos para fazer cocô na rua.

Em tempo: Levar o cachorrinho para fazer cocozinho na rua é o menor dos problemas o pior e não recolher os dejetos... e olha que tem cada "trolha" pelas calçadas.


O consumo de óleo derivado da soja deve ter tido uma queda expressiva, pois as matérias falando mal do óleo de coco já estão proliferando nas mídias.

GeoGrafando

Santiago Siqueira compartilhou uma foto com você do app Flickr! Confira: https://flic.kr/p/FW5vVx

Retratos de uma cidade - Florianópolis/SC

Ribeirão da Ilha

Senadores subscrevem requerimento de voto de censura ao Deputado Federal Jair Bolsonaro

Randolfe Rodrigues - Repsodução: TV Seando
Em sua fala no plenário do Senado o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) solicita à presidência da casa um requerimento subscrito por ele, pela Senadora Lídice e por outros Srªs e Srs. Senadores de um voto de censura ao Sr. Deputado Federal Jair Bolsonaro. Leia abaixo a fala do senador Rodrigues e entenda os fatos.

"Sr. Presidente, trata esse requerimento de um voto de censura ao Sr. Deputado Federal Jair Bolsonaro. Este senhor, que é conhecido por declarações preconceituosas e racistas, em um evento público no Clube Hebraica, da Zona Sul do Rio de Janeiro, desta vez, passou de todos os limites do imaginável ao afirmar o seguinte – ipsis litteris: "Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve..."

Eu não devia nem citar isso e, lamentavelmente, não devia nem citar o nome desse indivíduo, mas eu creio que é necessária uma manifestação do Senado Federal em relação a esse atentado à dignidade humana, a esse atentado à diversidade do povo brasileiro, a essa ignomínia – não tem outro nome a ser dito para isso do que uma ignomínia total.

Além de mim, a Senadora Lídice, a Senadora Vanessa Grazziotin, outras Srªs Senadoras e outros Srs. Senadores subscreverão esse voto de censura – Senador Cássio Cunha Lima é uma honra contar com sua assinatura, Senador Humberto Costa. Enfim, estou apresentando à Mesa esse voto de censura e acho, Sr. Presidente, que o Plenário desta Casa deve dar, com urgência, uma resposta.

[O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar recomendou uma censura escrita contra o deputado Jean Wyllys por ter cuspido no deputado Jair Bolsonaro.]

Esse senhor já passou de todos os limites. Não há limite para fascismo. Esse tipo de declaração é uma ofensa à diversidade do povo brasileiro, é uma ofensa ao povo brasileiro. O Senado Federal, como a Casa da Federação, não pode ficar calado a uma ignomínia, a um atentado à formação do povo brasileiro como esse.

Da Câmara dos Deputados eu espero, no mínimo, a instalação de Comissão de Ética, há muito tempo, em relação a esse senhor e o afastamento dele de suas funções parlamentares. Como nós não podemos fazer isso do Senado da República, o mínimo que o Senado pode fazer é repudiar veementemente esse tipo de declaração fascista que nada tem a ver com a dignidade e com a formação do povo brasileiro.

Estou encaminhando à Mesa o voto de censura subscrito por outras Srªs e Srs. Senadores."

Fonte: Senado Federal

O Brasil na perspectiva ornitológica

Imagem: Pixabay
[...] Hoje eu vou falar de patos, essas simpáticas aves da família Anatidae. Fui ao Google para me ilustrar sobre o assunto e aprendi que a família de patos é enorme. Há o pato-mudo, o pato corredor, o pato-ferrão, o pato papão, o pato-caipira e o pato da Fiesp. E assim por diante. Ah, sim! Os marrecos também fazem parte da família. E temos aí a marreca-cricri, o marreco-gritalhão, o marrecão, o marreco-pompom e o marreco de bico-amarelo.

Confesso que fiquei interessado pelo pato-mudo. O pato-mudo é assim chamado porque ele não emite sons altos; o macho faz um som semelhante a um assopro; e a fêmea, algo como um assobio discreto.

E fácil criar patos, e eles se reproduzem com grande facilidade. No Brasil, os patos são milhões e milhões, embora ultimamente, informam-me, talvez por causa do clima, da crise econômica, da reforma da Previdência ou do desemprego, registra-se uma drástica diminuição na população de patos.

O coletivo de patos [...] é bando ou patacoada, como sugerem alguns.

Os patos são facilmente domesticados e é possível conduzir o bando pata aqui, pata acolá, porque o pato sempre vem para ver o que é que há, como diz a letra de Vinícius de Moraes.

Assim, para amestrar e docilizar o pato, especialmente o pato-mudo, muitos criadores colocam nos aposentos do bando televisores e rádios, permanentemente sintonizados na Globo e na CBN. E, para melhor acomodá-los, forram o ambiente onde vivem, com jornais e revistas criteriosamente selecionados.

Os criadores chegaram à conclusão que, sob o efeito de certas vozes, masculinas e femininas, de apresentadores e comentaristas do rádio e da televisão, os patos reproduzem-se com mais velocidade.

Quanto à dieta dos patos, algumas informações de tratadores referem-se à adoção exitosa – imagine, [...] – de alfafa, que é a comida específica para muares.

Mas vamos ao que interessa. Embora a minha curiosidade sobre o pato­mudo, eu quero mesmo falar é do pato da Fiesp, um pato que se notabilizou por sua ativa performance no primeiro semestre do ano passado em algumas capitais brasileiras, especialmente na Capital Federal e em São Paulo, hoje o maior centro criador de patos e referência mundial na criação da ave. Tanto assim que alguns criadores russos já estão importando o pato da Fiesp, crentes que possam reproduzi-lo em Moscou e Petersburgo, com o mesmo resultado do Brasil.

Segundo o Google me informa, o pato da Fiesp, no entanto, tem lá também as suas idiossincrasias.

Por exemplo, não gosta de nada que seja imposto. Tem horror ao imposto. Chegou mesmo mesmo até a criar um medidor para espalhar a rejeição a tudo o que é imposto. É um pato liberal, vê-se com clareza.

Outra coisa que as pesquisas do Google ensinaram-me é que, frequentemente, os patos líderes trapaceiam a pataquada. Prometem levá­los a descansar em verdes prados, a conduzi-los a águas mansas e refrescantes, a reconfortar suas almas, a protegê-los de todo o mal, mas acabam por pastoreá­ los por ínvios e tenebrosos caminhos.

Verbi gratia.

O rei dos patos-Fiesp prometeu ao bando que, se a marreca-cricri fosse apeada do poleiro, haveria abundância, jorrariam leite e mel, e que nada mais seria imposto à patolândia. Houve mesmo um grão-pato pernambucano que prometeu o milagre instantâneo da multiplicação dos pães, dos peixes, do vinho e dos tecidos de tafetá ou de morim se a referida madame fosse afastada.

Quem sabe seja por isso, porque tudo o que é imposto aumenta; porque diminui a ocupação dos patos; porque se reduz a ração do bando, e muitos se recusam a consumir alfafa como cardápio alternativo; porque os patos mais velhos estão sendo ameaçados de nunca mais poderem descansar; ou seja, porque as tarefas dos patos estejam sendo terceirizadas para os urubus, corvos, quero-queros, a verdade é que míngua, dissolve-se o número dos anatídeos a seguir os seus líderes. Os patos estão saindo do bando.

Parece que as generosas contribuições financeiras dos irmãos Koch – ou do brasileiro mais rico do país e 19° mais rico do Planeta – não estão dando mais conta de mobilizar os patinhos e os patões que haviam proclamado a República do Vão Livre da Fiesp, do Masp, ou o Consulado do Pato Fiesp.

Concluo esse mergulho no mundo dos patos, marrecos e gansos com duplo e contraditório sentimento, um sentimento gramsciano: pessimista e otimista.

Pessimista por ver quanto é poderosa a aliança mídia/grande capital, tão poderosa a ponto de fazer milhões de brasileiros bem-intencionados vestirem a camisa da CBF e marcharem pelas ruas, defendendo, em última instância, as teses de seus opressores.

Otimista por ver os brasileiros que foram feitos de patos despertarem e, em movimento contrário, retomarem as ruas contra a entrega do País ao grande capital global, especialmente ao capital financeiro; contra a destruição da Previdência Social e da legislação trabalhista; contra a terceirização que instaura no País a escravidão remunerada; contra a destruição da nossa indústria e o extermínio dos empregos.

O Brasil desperta. Está na hora de este Senado também acordar e começar a pôr um freio nessas loucuras inspiradas nas putrefatas ideias do neoliberalismo.

Não somos o País dos patos. Não somos patos. Não há de ser o presidente de uma entidade empresarial-industrial, que se distingue pelo servilismo aos que destroem as indústrias, o emprego, o consumo e a soberania, que fará do Brasil o País dos patos da Fiesp.

Os patos abandonam o bando [...] e o Brasil começa a acordar para ideias libertárias de desenvolvimento, de emprego e de soberania.

Senador Roberto Requião  (PMDB-PR). Discurso proferido no Plenário do Senado em 05/04/2017. Título meu.


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