Ensino, pesquisa e extensão

Representação da Sala de Geografia.
Observo que o regime contratual do professor universitário é diferente do professor de ensino básico. Aliás há várias diferenças nessas duas "categorias" que em tese, deveria ser apenas uma, professores. Uma das diferenças é a questão salarial, mesmo com a mesma formação o professor de ensino básico possui um salário inferior ao professor de ensino superior. Aliás esse termo "ensino superior" é provocativo e só faz sentido para os que defendem as diferenças de carreira do magistério.

Observando o mundo atual, o ensino universitário para os jovens brasileiros não é algo superior é uma necessidade básica, portando minha definição de ensino básico engloba o ensino universitário.

Outra diferença que gostaria de abordar está atrelada à forma de atuação no ensino dito básico e o dito superior, neste último o regime contratual prevê (e determina) que a atuação do professor seja no Ensino, na Pesquisa e na Extensão. Já o professor de ensino básico, geralmente, é contratado para atuar apenas no Ensino. 

Até aí tudo bem, contudo o professor universitário é remunerado (e divide sua carga horária, exemplo 40h/semanais) para ações de ensino, pesquisa e extensão enquanto o professor de ensino básico é remunerado (em suas 40h/semanais) para atividades de ensino ao mesmo tempo que dele é cobrado que desenvolva e envolva-se em projetos e participe de atividades que possam envolver a escola os pais e a comunidade* onde esta está inserida.

* não gosto do termo comunidade quando falo em educação, penso que o que melhor define o corpo da escola e seu entorno é a diversidade e não a comunidade, compreender isso é atuar de forma mais justa com alunos, funcionários e famílias.

Participar de projetos demanda estudo, pesquisa e tempo. Criar situações de envolvimento da diversidade escolar demanda estudo, pesquisa e tempo. É correta a afirmação de que os professores devem se envolver nessas atividades educativas, mas antes da cobrança é preciso que se crie condições de trabalho que possibilite ao professor esse envolvimento. Como os professores da chamada "educação básica" não são liberados de sua carga horária de ensino, os projetos (pesquisa) e o envolvimento das famílias (extensão) são esforços que o professor executa sem a devida remuneração para tal (antes de tudo estou aqui considerando o professor um trabalhador, se quer envolvimento de outra qualidade (não remunerada) melhor procurar no sacerdócio).



Nesse sentido todo o investimento para elaboração de pesquisas e extensão que o professor do "ensino básico" executa, ou são estimulados (para não dizer forçados) a realizar, configura-se em uma sobrecarga de trabalho não remunerado. 

Para que tenhamos uma qualidade no processo educativo brasileiro é preciso investir cada vez mais nessa modalidade - ensino, pesquisa e extensão -  e para que este investimento não sobrecarregue o professor, para além de suas 40h/semanais, é preciso que ocorra uma alteração em sua carga horária de ensino.

Um exemplo:

40 horas de ensino com 1/3 de hora atividade significa, aproximadamente:
27 horas em sala de aula + 13 horas de preparação/avaliação para essas aulas.

Como pode ser observado não há espaço, dentro da hora atividade do professor para realização (qualificada) de pesquisa ou extensão sendo necessário, para tanto, a redução da carga de ensino.

Para iniciar uma discussão proponho uma distribuição de carga horária, de professores com 40 horas semanais, da seguinte forma:

10 horas dedicadas ao ensino com 10 horas para atividades de planejamento/avaliação.
10 horas dedicadas à pesquisa - para elaboração de projetos educativos na escola.
10 horas dedicadas à extensão - para criação de ações pedagógicas que aproximem a diversidade escolar da escola.

É preciso demonstrar para a sociedade que investir em educação de qualidade é uma opção social e que para se garantir o retorno desse investimento é preciso (re)conquistar a escola pública, gratuita e de qualidade.

A luta é permanente!

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