Palavra ôca, verbosidade alienada e alienante

Após a reclamação de um aluno de que sua professora nada explica apenas fica falando o que já está escrito nos livros didáticos, lembrei-me de Freire...


Falar da realidade como algo parado, estático, compartimentado e bem comportado, quando não falar ou dissertar sôbre algo completamente alheio à experiência existencial dos educandos vem sendo, realmente, a suprema inquietação desta educação. A sua irrefreiada ânsia. Nela, o educador aparece como seu indiscutível agente, como o seu real sujeito, cuja tarefa indeclinável é "encher" os educandos dos conteúdos de sua narração. Conteúdos que são retalhos da realidade desconectados da totalidade em que se engendram e em cuja visão ganhariam significação. A palavra, nestas dissertações, se esvazia da dimensão concreta que devia ter ou se transforma em palavra ôca, em verbosidade alienada e alienante. Daí que seja mais som que significação e, assim, melhor seria não dizê-la.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 8ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1980. p. 65.

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