Corte de verba em pós-graduação já afeta pesquisas, dizem universidades

Apesar da crise que afeta a educação, representantes do governo afirmaram que bolsas da Capes e do CNPq não serão cortadas

Apesardeterassegurado o pagamento de todas as bolsas de pós-graduação vigentes, o governo determinou cortes de recursos que já comprometem a continuidade de pesquisas nas universidades públicas, segundo ficou constatado no debate realizado ontem na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT).

De acordo com Henrique Luiz Cukierman, pró-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o orçamento deste ano para programas de pós-graduação da instituição será 75% menor que o de 2014. O corte, afirmou, afeta desde o custeio de experimentos até a participação de pesquisadores em encontros científicos.

— Entramos numa situação angustiante. Todas as pesquisas de campo estão suspensas, o que é um prejuízo imenso para a produção de conhecimentos. As dificuldades se repetem na Universidade de Brasília (UnB), como relatou Jaime Martins de Santana, decano de Pesquisa e Pós-Graduação da instituição. Ele apontou prejuízos decorrentes de cortes de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

— O FNDCT perdeu 28%. Passamos de R$ 4,5 milhões para R$ 3,2 milhões. Isso tem um impacto extremamente negativo no financiamento da pesquisa que é feita nas universidades e nos institutos de pesquisa — disse.

Marcio de Castro Silva Filho, diretor da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), afirmou que não haverá cortes de repasses aos bolsistas da instituição.

Também estão garantidas as bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), conforme Emília Maria Silva Ribeiro Curi, secretária-executiva do Ministério da Ciência e Tecnologia:

— A prioridade será honrar os projetos contratados e o pagamento dos bolsistas — disse.

Segundo Cristovam Buarque (PDT-DF), Lasier Martins (PDT-RS) e José Medeiros (PPS-MT), não há justificativa aceitável para o corte de recursos. O senador Hélio José (PSD-DF) lembrou a nova dificuldade colocada ao Congresso pelo Executivo por causa do déficit de R$ 30 bilhões no projeto do Orçamento de 2016:

— Com essa possibilidade de ter que cortar, como vamos fazer? Sacrificar o pouco que já se tem de investimento na área científica? Não tem a mínima condição.

Fonte: Jornal do Senado, Brasília, quarta-feira, 2 de setembro de 2015.

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