Senadores criticam ação policial contra professores

Audiência reuniu docentes e sindicalistas que participaram de protesto em Curitiba e foram violentamente reprimidos pela polícia. Gleisi e Requião presenciaram confronto


Indignação, tristeza e revolta foram os sentimentos expressados por professores e sindicalistas do setor de educação do Paraná que participaram ontem de uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) sobre a violência policial contra servidores estaduais na quarta-feira passada, em Curitiba. 

Os professores participavam de uma manifestação que reuniu mais de 20 mil servidores e foram reprimidos com violência pelas forças policiais do governo estadual. 

Os senadores do Paraná Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) presenciaram o confronto e foram enfáticos ao relatar a brutalidade da ação policial, que deixou mais de 200 manifestantes e 20 policiais feridos.

— Surgiram helicópteros jogando bomba de gás lacrimogêneo indiscriminadamente. Hoje, o paiol de munição da Polícia Militar do Paraná está vazio. Eles praticamente jogaram todo o estoque de bombas de efeito moral e explosivas em cima da população — disse Requião.

Gleisi pediu a apuração de responsabilidades dos que estavam no comando da operação e disse não ver justificativa para “tamanha violência” contra trabalhadores: 

— Foram duas horas ininterruptas de bombas e não era para defender o prédio da assembleia. Não tinha justificativa. As balas de borracha continuavam sendo atiradas e os professores pediam que parassem com a violência, mas eram tratados como bandidos. É essa a dor que as pessoas estão falando. Não é a dor física, que pode até passar. É a dor moral, a dor emocional, a dor de saber que aquele que deveria te proteger te desrespeita. 

A CDH recebeu pela internet 400 mensagens criticando a ação do governador do Paraná, Beto Richa, e questionando a falta de diálogo com os professores. 

— Essas mensagens mostram que o país todo está acompanhando e discorda dessa ação — afirmou Paulo Paim (PT-RS), presidente da CDH. 

Paim informou que foi aprovado na comissão um voto de censura ao governo do Paraná, medida também aprovada na Comissão de Educação (CE). 

No debate, professores e sindicalistas acusaram o governador de romper o compromisso de discutir com servidores propostas de mudança nas regras da previdência estadual, antes da votação da matéria na assembleia legislativa. 

No dia do confronto, os servidores se manifestavam contra rito sumário de votação do projeto. Os participantes do debate na CDH refutaram argumentos de que os policiais foram chamados para evitar que a assembleia fosse invadida pelos manifestantes. 

— Quando um governo quer proteger patrimônio público, coloca a tropa na frente do prédio. O que fez o governador foi cercar os manifestantes com tropa, com cachorros e dois caminhões de policiais com cavalos — relatou a professora Luzia Marta Bellini, diretora do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Paraná. 

Os docentes negaram a alegação do governador de que o projeto teria sido discutido com as entidades dos servidores. 

— Desafio o governador que nos mostre uma única ata assinada pelos sindicatos dos professores das universidades estaduais sobre o PL 252/2015, que o governo diz ter sido amplamente discutido — afirmou o professor Antonio Bosi, do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. 

Cães 

O rompimento do diálogo por parte do governo estadual foi apontado por todos os professores e sindicalistas presentes ao debate, como Hermes Leão, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública, e Denny Willian da Silva, professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná. 

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-PR), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, e os deputados estaduais Professor Lemos (PT) e Tadeu Veneri (PT) citaram a ação violenta de ao menos 350 policiais dentro da assembleia, inclusive com uso de cães. 

Num relato emocionado, o cinegrafista Luiz Carlos de Jesus, que participava de cobertura jornalística pela Band, contou que foi atacado por um cachorro dentro da assembleia.

(...)

Na opinião dos senadores do PSDB Aloysio Nunes Ferreira (SP) e Cássio Cunha Lima (PB), a intervenção da força policial foi necessária para evitar que não se repetisse a invasão da assembleia legislativa.

Fonte: Jornal do Senado, Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2015.

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