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A Verticalização de Florianópolis entre 1960-2014


Reproduzido do ND Online (acesso em 07/10/2014), intertítulos do Professor Santiago
Um cartão postal da década de 1960: início da verticalização.
Foto: Arquivo Carlos Damião/ND

Registro feito em 1998: presença maciça da construção civil. 
Foto: Arquivo Carlos Damião/ND.

Num registro mais recente, a expansão vertical para o Continente. 
Foto: Divulgação/ND.


Olhando Florianópolis de cima - e o ND e o Grupo RIC têm uma posição geográfica privilegiada - a gente percebe como a cidade cresceu rápido. Não só a Capital, todo o complexo urbano do entorno, em especial São José, é visivelmente verticalizado, com a quase total escassez de áreas verdes. Do alto, o verde que sobra está nas praças públicas e em alguns pontos isolados. Não houve preocupação, em passado recente, com a preservação de mais espaços verdes, reservas ambientais para a população respirar. Em geral, estamos confinados numa selva de concreto, com a ocupação quase total de tudo que é possível para construção.
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A verticalização da área central, a primeira a despertar atenção da construção civil, não foi planejada. Aliás, mesmo que tivessem boas intenções, as autoridades de 40 ou 50 anos atrás não conseguiriam impor qualquer tipo de ordenamento sustentável à cidade. Esbarraram quase sempre nos interesses político-partidários, nos cabos eleitorais amigos, nas questões mais objetivas do desenvolvimento e sem a "abstração" do urbanismo.
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Querem dois exemplos? Vamos lá: na década de 1970, o professor Luiz Felipe da Gama Lobo d'Eça, que era arquiteto e urbanista, percebeu que o centro da cidade se esgotaria em pouco tempo. Em consequência, deveria se expandir para a região do Campeche, devido às ótimas condições topográficas, com terrenos mais planos, e também à proximidade com a região central e o aeroporto. Seu projeto de urbanização do Campeche foi ignorado e o bairro se transformou na zona urbana que todos conhecemos na atualidade.
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O segundo exemplo sobre o planejamento do passado que não funcionou, é o Aterro da Baía Sul, desenhado por um gênio do urbanismo, Burle Marx, e totalmente violado pelos interesses de uma minoria. O resultado é o que se vê, embora alguns prefeitos, inclusive o atual, já tenham pensado em devolver-lhe pelo menos uns 50% do que Burle Marx projetou.
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O que vemos hoje, do alto, é a cidade moderna e sufocada, ainda bonita, por causa do oceano e do generoso desenho de sua costa. Em seu livro "Desenvolvimento e modernização", o sociólogo Nereu do Vale Pereira observa: "O período 1960/70 (...) é aquele em que mais a sociedade florianopolitana conheceu e gerou o processo de 'modernização'. Pode-se também levantar a hipótese de ser a construção civil o principal indicativo desse processo". Quando o professor fala de "hipótese" é preciso ter claro que o livro foi escrito e publicado no início da década de 1970, momento em que a construção civil ainda era incipiente. Mas ele tinha razão.
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Óbvio que a cidade precisava crescer, como todas cresceram. Mas a coisa poderia ter sido um pouquinho melhor, mais pensada etc.
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Detalhe: na imagem mais antiga é possível contar os prédios existentes no Centro – eram cinco mais altos. À esquerda da foto está o primeiro arranha-céu da cidade, inaugurado em setembro de 1959, na Praça 15 de Novembro. São visíveis também as torres da Catedral Metropolitana, da Igreja de São Francisco e da Igreja Luterana. Lá adiante, na baía Sul, a Ilha do Carvão.

Fonte: ND Online: <http://m.ndonline.com.br/florianopolis/colunas/ponto-final/202896-a-modernizacao-de-florianopolis-vista-do-alto.html>. Acesso em 07/10/2014.

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