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O estado da educação

“Prezado Sr. Moacir:

Sou professor do magistério catarinense e venho através desse relatar situação da Escola Estadual de Ensino Médio João Gonçalves Pinheiro, localizado no bairro do Rio Tavares em Florianópolis.    Estamos, desde ano passado, enfrentando graves problemas. Por várias vezes ocupamos a pauta dos jornais com reportagens que evidenciavam todos estes problemas. Não somos os únicos e não seremos os últimos. A falta de estrutura mínima colocava a vida e a  dignidade de adolescentes e jovens em risco. Para que haja conhecimento de apenas um desses problemas, uma aluna cadeirante várias vezes fez suas necessidades nas calças por conta de falta de banheiro adaptado. Um verdadeiro absurdo!

A comunidade da escola dormiu 2013 com a promessa que a escola nova sul da ilha seria entregue para o início desse ano letivo 2014. Acordaríamos em casa nova, com possibilidade de receber e trabalhar dignamente.

Iniciamos no dia 06 de fevereiro de 2014 sem sair de 2013. Na velha escola com todos os velhos problemas e com outros mais. Mato e entulho no pátio, salas sem portas, sem ventiladores (mínimo) e cozinha interditada pela vigilância sanitária. Quanto as novas instalações nenhuma informação foi repassada: a placa existente na frente da escola com a data de entrega foi apagada! Em conversa com os empregados da empreiteira ficamos sabendo que o governo não paga a empresa e por esse motivo as obras andam a passos de tartaruga. O mestre de obra foi contundente: se acabarmos nunca mais a empresa irá receber o recurso de pagamento da obra.

O coletivo dos professores decidiu por conta própria interditar a escola. Estamos desde o dia 06 de fevereiro reunidos na escola estudando o Projeto Político Pedagógico da escola e refletindo sobre nossa situação. Aproveitamos para organizar nossas ações. Convidamos a comissão de Criança e Adolescência da OAB /SC para uma visita e vistoria na escola velha.  A visita ocorreu na quarta feira dia 12 de fevereiro pelo advogado Dr. Anselmo Machado e a Dra. Reti Jane Popelier. Constataram in loco o estado absurdo de abandono e desrespeito as leis. Iniciamos naquele mesmo dia a redação de uma petição a comissão da OAB/SC para acompanhamento das ações para solução do problema. Também iniciamos uma petição que pede a responsabilização do Estado pelo abandono e pelo não cumprimento de prazos na entrega da obra. Articulamos, durante essa semana, com a comunidade escolar reunião para dia 17 de fevereiro para juntos interditarmos a escola. Articulamos um ato em frente ao conselho da fazenda do Rio Tavares, ao lado da nova escola, para esclarecer e denunciar o calote do Governo na comunidade.

Frente a toda essa grande movimentação, na sexta feira, às 15h uma comissão de 6 pessoas da GERED e da Secretária Regional da Grande Florianópolis, foi até a velha escola efetuar pressão para que não fizéssemos a interdição, o ato público  e não envolvêssemos a imprensa! Nunca, repito, nunca foram naquela escola. Foi mais um grande erro dessa administração desastrosa. Ganhamos mais fôlego e mais disposição para denunciar a falta de respeito. Mostramos que não daríamos um passo atrás. Enquanto conversávamos no auditório, onde professores faziam seus depoimentos  e os “assessores” das secretarias tentavam construir argumentos para que não fosse feito nada, projetávamos na tela nossa petição para a justiça (temos um colega no último ano do curso de direito), com fotos, boletins de ocorrência e inúmeros argumentos. O medo da tal comissão foi aumentando. Reiteraram pedidos para que não levássemos adiante tais ações. Principalmente a ação criminal (fomos orientados pela comissão da OAB). Oferecemos água para a tal comissão, ressaltando que foi tirada da torneira da cozinha interditada. Imagina se tomaram tal água? Oferecemos os banheiros para serem usados. Imagina se foram utilizados por alguém da comissão? Saíram da escola envergonhados e constrangidos.

Sr. Moacir Sr. Upiara,

Exatamente as 17 h o secretário de educação ligou para a diretora. Falou longamente com ela. As 17h e 49 min. veio o email da GEREI com a seguinte informação:

“Informamos que fica suspenso o inicio das aulas no dia 17 de fevereiro. Aguardamos novas orientações da GERED. Solicitamos avisar a comunidade imediatamente…”  (anexo foto do email impresso)

Vitória? Não. Não arredaremos o pé até conseguir a total interdição do prédio e que seja estabelecido inquérito para apurar as responsabilidades do governo. Não voltaremos atrás nas nossas ações e na nossa petição! Cansamos.

O Sr. Eduardo Dechamps deveria renunciar. Sua atitude é de covarde, de gestor sem controle da sua equipe e de ações mínimas. Levaremos a ferro e fogo essa ação. Queremos derrotar o governo? Não. Queremos uma política de estado para educação e não um estado de faz de contas.

Magistério Catarinense: uni-vos! Contratem nos seus coletivos advogados (não esperem pelo sindicato) e construam ações denunciando toda a falta de respeito e toda agressão a lei!

Atenciosamente,

Sandro Livramento .”

O texto acima foi extraído, na íntegra, do blog do Moacir Pereira no endereço <> Acesso em 18/02/2014.

A imagem abaixo, extraída do perfil de um jornalista em um rede social, é para ajudar em suas reflexões.

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