Impróprio para pobres

Florianópolis-SC. AV. Beira Mar Norte.
Foto: Santiago Siqueira / www.santiago.pro.br
 Por que um dos metros quadrados mais caros da Ilha de Santa Catarina continua com sua "praia" imprópria pra banho?

A baía Norte, palco de várias atividades e festas em Florianópolis, como por exemplo as festas de final de ano com queima de fogos e concentração de milhares de pessoas, continua sendo uma baía imprópria para o banho.


Florianópolis-SC. AV. Beira Mar Norte.
Foto: Santiago Siqueira / www.santiago.pro.br
Qual interesse em manter essa "área nobre" da cidade fora dos roteiros de balneabilidade?

O que percebo para além das paredes de concreto dos edifícios é a presença dos morros da área central da cidade. Qual seria então a praia mais acessível para quem mora nos morros do centro de Florianópolis?

Contudo, quando alguém compra um apartamento na avenida Beira Mar ela acaba acreditando que não comprou apenas o imóvel, mas também, o "direito à paisagem" da baía. E como "dono" daquela paisagem, mantê-la para poucos é de fundamental importância para a própria valorização do patrimônio adquirido.


Contudo, como não se pode deixar uma área como essa sem atividades diárias, isso poderia ser motivo para que os menos afortunados comecem através das lutas pelo direito à cidade, lutar pela conquista de novos espaços de lazer, tão carentes em uma cidade que prefere o "C" do Consumo ao "C" da Conversa (aquelas feitas em praças). Para evitar essas reivindicações alguns  usam a estratégia dos "grandes eventos", das festas populares abertas ao público em geral como desfiles, passagem de ano com queima de fogos, maratonas, etc. (só não pode ser palco para manifestações, pois estas devem ser duramente reprimidas. Ah! se for pacíficas e ordeiras podem!).
Florianópolis-SC. AV. Beira Mar Norte.
Foto: Santiago Siqueira / www.santiago.pro.br

Florianópolis-SC. AV. Beira Mar Norte.
Foto: Santiago Siqueira / www.santiago.pro.br
Criar situações de uso diário é uma estratégia para garantir a exclusão de alguns, geralmente os mais pobres, durante o maior período do ano, apesar da pseudo aparência do "lugar público". A segregação na Beira Mar é visível. Poucos salários mínimos não conseguem utilizar a infra-estrutura ali disponibilizada. O lugar, geralmente utilizado pela classe mais abastarda economicamente, serve para as caminhadas matinais e de final de tarde, garantindo assim o uso do espaço.

Mas onde estão os menos favorecidos economicamente? Estes não andam na Beira Mar, estes não se banham na Beira Mar.

Não tenho como dizer se há poluição por esgoto na baía, mas pela indicação da placa afirmando que se trata de uma área imprópria para banho, suponho que alguns estão, literalmente, Andando e Cagando para os pobres.

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